9.4.09

3. Percorrer o Bairro Pequeno

O Bairro Pequeno, em Praga, está situado nas encostas abaixo do Castelo e é considerado a zona de Praga com mais traços do passado pois quase nenhum edifício foi aqui construído desde o final do século XVIII.
Palácio e Jardins Wallenstein
Saindo na estação de metro Malostranská, encontramos, ao seu lado direito, o Palácio Wallenstein e os seus jardins. Este palácio é, sem dúvida, um monumento à ambição fatal do comandante imperial Alberecht Wallenstein, devido às várias vitórias sobre os protestantes na guerra dos 30 anos, começando a ambicionar para si próprio a coroa da Boémia. Este palácio foi construído porque o tal senhor Wallenstein desejava ofuscar a beleza do próprio castelo de Praga, de que falei no post anterior.
No fresco do tecto do magnífico salão do palácio está, então, retratado Wallenstein como o Deus Marte, o deus da Guerra, a conduzir um carro trunfal! Só podia ser!

Tecto do Salão do Palácio

Mais à frente encontramos uma enorme cúpula e um campanário belíssimo. Estes fazem parte da Igreja S. Nicolau, cuja cúpula coberta de frescos e campanário são os marcos mais importantes do Bairro Pequeno. É sem dúvida mais uma obra prima desta cidade.
Campanário e Cúpula da Igreja S. Nicolau Igreja S. Nicolau Porta de entrada na Igreja S. Nicolau
Outro dos marcos do Bairro Pequeno, é podermos passear rua acima, desde a Igreja S. Nicolau até ao Castelo através a famosa Rua Nerudova, uma rua histórica que deve o seu nome ao escritor, poeta e jornalista do séc. XIX Juan Neruda que viveu na casa dos 2 sois, no nº47.
Casa de Juan Neruda
A Rua Nerudova é uma rua movimentada, cheia de gente que sobre e desce a calçada diariamente. As ruas pararelas a esta são estreitas e as escadarias no final dela têm um ar romanticamente misterioso. Há comércio por todo o lado, onde se vende as famosas sweet-shirts que dizem "Chezc Republic - Team Drinking". Acabo, também eu, por comprar uma e mais alguns souvenirs para amigos e família.
Casas da Rua Nerudova

2. Castelo de Praga e a Praça Hradcany

O interessante de Praga, é que esta cidade, situada no coração da Europa, está dividida por Bairros: a Zona do Castelo, o Bairro Pequeno, o Bairro da Cidade Velha e Cidade Nova e o Bairro Judeu, facilitando a qualquer mochileiro de conhecer, verdadeiramente, a sua cultura de forma fácil e prática, não sendo, por isso, necessário desprediçar muitos dias para conhecer a cidade.
Alojados perto da estação de metro "Jirího Z Podêbrad", dirigimo-nos até ao outro lado da cidade, para lá do rio Vltava, para podermos iniciar o nosso itinerário, conhecendo o Castelo de Praga e a Praça Hradcany. Estação de metro "Jírího Z Podêbrad"
Chegados à estação de metro de Malostranská, percebemos de imediato que alí é um centro importante de paragem pela imensidão de turistas que calcorream aquelas ruas. Subimos até à colina, juntamente com os outros turistas, onde está alojado o Castelo e percorremos a famosa Travessa Dourada, uma rua onde estão situadas pitorescas casas de artesãos ao longo do interior da muralha do Castelo, construídas no fim do séc. XVI para a sua guarda e artilharia.
Travessa Dourada no Interior do Castelo
Na casa nº 22 da Travessa Dourada está situado a residência de Franz Kafka, um dos maiores escritores de ficção. Nascido de uma família de classe média Judia em Praga, viveu temporáriamente, aqui, durante 10 meses. A Travessa Dourada, composta por estas minúsculas casas pintadas com cores claras, é assim chamada devido aos ourives que aqui vieram viver no sec. XVII, remodelando os edifícios.
Casa de Franz Kafka
Dentro da muralha do Castelo encontra-se, também, a Basília de S. Jorge, situada perto da Catedral de Praga. Esta basílica data do ano de 915, sendo o mais bem conservado templo românico de Praga!!! Nesta igreja está sepultada a Stª Ludmila, viúva do príncipe de Borivoj. Foi considerada a 1ª mulher mártir cristã da Boémia, tendo sido estrangulada, sob as ordens da sua afilhada, enquanto orava de joelhos.
Basílica de S. Jorge Mesmo em frente à Basílica encontra-se a famosa Catedral de S. Vito, um dos símbolos da cidade que abriga as joias da coroa Checa e o túmulo do Rei Venceslau. Esta é, sem dúvidas, uma catedral imponente pelas suas dimensões, estrutura e beleza.
Catedral de S. Vito Dentro da catedral podemos observar o túmulo de S. João Neopomuceno, cujo túmulo foi elaborado em prata pura, em 1736, em honra ao santo que se tornou o centro de um culto contra-reformista. Uma outra estátua do santo está também integrado na Ponte Carlos, onde é ritual tocarem-na para dar sorte. Nós, também, fizemos o mesmo! Vamos lá ver agora qual a sorte que nos calha! Túmulo S. Neopomuceno À saída da Catedral, sentámos-nos ali mesmo em frente, na praça, a descançar um pouco, enquanto vislumbravamos a magnificiência de uma catdral como esta. Tirámos o pão com queijo e pepino dentro da mala, o leite com chocolate e ali ficámos nós a saborear um lanche, próximos de um mar de gente que nos rodeava para, também, poderem contemplar este símbolo de Praga.
Os Guardas do Castelo A saída das muralhas do castelo faz-se por uma porta próxima à catedral onde guardas tipicamente trajados "protegem" esta fortaleza. A vista daí é fantástica, dando-nos uma ideia mais real da dimensão da pequena cidade de Praga que nos encanta a cada recanto que é descoberta.
A vista sobre a cidade Apanhamos os castiços eléctricos um pouco mais à frente, depois de uma pausa para beber um "expresso piccolo" - como eles se referem ao café - para visitarmos o Loreto e o Palácio de Strahov.
Lentamente andamos pela cidade. Sem pressas, sugando esta cultura ao máximo. Sentimos, no entanto, a dificuldade e a barreira linguística. As placas informativas estão todas em Checo, a maioria das pessoas falam Checo e a escrita checa torna-se difícil de decifrar. Sem mais... temos mesmo de recorrer ao nosso guia, até agora guardado na mochila.

1. A Casa Não Nos Deu as Boas-Vindas à República Checa

São 7 da manhã. Eu, e mais 3 amigos (os Nunos - Santos e Dion, e o Carlos), partimos de Lisboa em direcção a Praga, República Checa, com escala de 1 hora em Frankfurt, para podermos passar alguns dias, antes da páscoa, por aquela redondezas. A chegada à cidade faz-se com frio. As pessoas andam de gorro e luvas apesar de não termos vindo prevenidos para tanto. As t-shirts ficam, então, guardadas na bagagem.
Ficámos instalados em Praga 3, a 10 minutos a pé do centro da cidade. A casa, alugada por internet, parece-nos, agora, à partida, um caos. Encontramos uma casa velha, fedorenta e com decoração retrô, muito embora nos tentam publicitado o aluguer de quartos "preto-dourado" e "branco-dourado", com palmeiras incluídas, descrição esta que, à partida nos deixaria supor um bom agouro. Contudo, ao chegarmos encontramos as palmeiras artificiais e traves nas camas para suportarem o peso! Muito apesar do sucedido, acabámos por nos ambientar bem ao local. (tomara!)
A entrada no prédio
Procuramos poupar em comida, realizando algums refeições em casa. Dirigimo-nos ao famoso supermecado de Praga ("Albert") para trazer alguns dos ingredientes necessários à sobrevivência durante estes dias: desde pão, a yogurts, passando por alguns legumes, leite e outros bens essenciais.
É de noite, aquando da nossa chegada. Procurámos relizar alguma coisa para jantar no pequeníssimo fogão a electricidade de 2 bicos. O jantar já está quase pronto e, eis que senão quando, ao tentar aumentar um pouco mais a intensidade o quadro da luz rebenta, vendo à minha frente uma faísca enorme vinda do fogão!
O famoso fogão
Estamos sem luz (e os vizinhos, a princípio, também). Completamente às escuras procuramos tentar perceber as ligações complicadas do quadro geral de electricidade, sem qualquer efeito. Chamamos um dos responsáveis pela casa que trabalhava no café ao lado que não verbalizava uma única palavra em inglês. Tentamos, por meio de gestos, explicar que a luz tinha ido a baixo. "light" e "off" foram as palavras usadas num malabar de gestos desarticulados na tentativa de fazer passar a mensagem.
O complexo quadro de electricidade dos quartos Alto e gordo. É assim o homem com quem tentamos falar. Vestido com um fato de talhante, cheio de nódoas e sangue impresso na sua indumentária, e sem luz dentro de casa, sinto-me, então, a pertencer, literalmente, dentro de um filme do "Swenney Todd".
A luz está de regresso. Conseguiu arrajar depressa o problema. Antes de irmos jantar dou por mim a trancar a porta de casa e a certificar-me de que ela não poderá estar aberta, enquanto me despeço dele com um sorriso deslavado ao verbalizar um forçado "Bye-Bye".
Afinal... mais vale viver estes dias na casa fedorenta do que ser degolado em terra alheia!
Que boas vindas a Praga!

31.3.09

Torres Vedras e o Famoso Carnaval

Viagei, mais um ano, até Torres Vedras, para poder participar no Carnaval. Este é já o meu 5º ano consecutivo que vou ao famoso carnaval de Torres, pela sua diversão, folia e loucura total. Não há gente na rua que não esteja mascarada, ou simplesmente, com um artífice qualquer na cara ou na cabeça para poder participar na euforia da multidão.
Só quem conhece a noite do Carnaval de Torres é que percebe o espírito que nela se vive! Intenso, electrizante e completamente diferente de tudo o resto.
A azáfama começa com a tradição do "mascarar" com a indumentária escolhida para a ocasião, seguindo-se as tradicionais jantaradas de Carnaval que reúnem dezenas de grupos em plena confraternização e, bem mais tarde, com a verdadeira concentração de foliões nas ruas do centro da cidade.
São milhares de jovens que se deslocam até Torres para dancarem e se divertirem. A noite acaba tarde. Sempre. E a diversão faz-se, mesmo, no meio da rua. Há dança e gente. Muita gente! Tropeçamos em gente! Mas em cada tropeço, um risada ou palavra. Todos se metem com todos. Ninguém está calado porque aqui a noite é para isto mesmo.
A Jantarada...
Podemos falar em dezenas de milhar de pessoas para quem o tempo pára e que, sem se conhecerem, se divertem e dançam, dando um colorido único e uma dimensão irreal às ruas de Torres Vedras.
A Rua Paiva de Andrada, a Rua José Eduardo César, a Rua Serpa Pinto ou a Praça Machado Santos (A famosa Praça da Batata) são parte constituinte deste circuito que nos garante animação. Bares, cafés e discotecas funcionam, regra geral, ininterruptamente, espelhando bem a energia contagiante com que os Torrienses vivem a festa. O dia nasce mas ninguém vai à cama, toma-se um pequeno-almoço reforçado e segue-se antes até ao Corso para mais uma tarde de convívio.
No Carnaval de Torres quase tudo é permitido, menos ficar em casa!
Este ano (mais uma vez-diga-se! lol) fiz Sucesso! Sim... Fui vestido de José Cid, numa máscara única e original e onde tive o privilégio de ser fotografado por muitos, para além dos inúmeros pedidos para cantar "como o macaco gosta de banana eu gosto de ti" ou "na cabana junto à praia", entre outros êxitos.
Foi sem dúvida, mais uma noite para recordar!
Eu (José Cid), Nuno (Peter Pan), Pedro (Preto),
Claudia (Anjo), Susana (Pirata), Renato (Matrafona)

29.3.09

Passear por Vannes: Uma Vila Medieval

De Rennes a Vannes demoramos cerca de 1 hora. Temos apenas 1 dia para poder ver esta pequena cidade medieval com mais de 2000 anos de história. Inacreditável, mas é verdade! "Darioritum" nome primário desta cidade só, posteriormente, foi chamada de Vannes.

Vannes, é uma cidade histórica e antiga, mas que ainda hoje mantem viva os principais vestigios da sua história: a muralha, os lavadouros, a catedral, o mercado e os museus convivem em Vannes com numerosos e floridos jardins.

A Muralha de Vannes, que vemos na fotografia abaixo, é o principal elemento da paisagem, um testemunho directo de 1500 anos de história militar, numa extensão de 600m. Uma muralha enorme e com um extenso relvado na sua frente, fazem as delícias para os transeuntes e turistas que por ali se passeiam. Á volta desta muralha aí se constituiu o centro da cidade medieval.

A Muralha de Vannes

A Porta Prisão é um dos acessos mais antigos à cidade das muralhas. Durante a idade média denominava-se a porta de São Paterno (Saint-Patern) em honra ao bairro sobre o qual se abre, e por onde andamos a passear pelas ruas coloridas de casas pintadas, conservando sempre o seu estado medieval de construção em madeira. Algo fenomenal!! Contudo, mais tarde, a porta foi utilizada como prisão, passando, a partir daí, a denominar-se de "porta prisão".

Porta Prisão das Muralhas de Vannes

Bairro de São Paterno, dentro das Muralhas

Entrando pela porta prisão chegamos facilmente à Catedral através do Bairro São Paterno. Um bairro bastante activo e popular pela característica peculiar das suas casas de madeira. Nele aproveitamos para entrar em pequenas lojas e comprar os tradicionais ímans que já fazem parte da minha coleção de viagens fixados no meu frigorífico.

Catedral de São Pedro e as casas típicas de Vannes

Esta catedral de estilo neogótico, embutida no seio do bairro, com as suas dimensões, traz à cidade uma beleza indescritível. São vários os turistas que vêm a Vannes visitar a Catedral, para observarem o túmulo de São Vicente Ferrer, falecido aqui em 1419 e enterrado no coro da Catedral.

Porta da Catedral de Vannes

23.3.09

Discriminação: Aprender a Combatê-la

"São tantas as batalhas. É tão funda a dor. São tantas as imagens de abandono e desamor. Há gente caída no chão, sem ninguém que os abrace antes da escuridão" - uma frase da letra "antes da escuridão" de Mafalda Veiga. Uma frase que revela o abandono proporcionado pela discrimiação que realizamos diáriamente, muitas das vezes sem nos percebermos que a realizamos.
"Jovens contra a Discriminação" foi o tema do encontro que reuniu mais de 30 jovens, em França, vindos de vários paíse europeus. Alojados numa casa meio-arruinada, meio-clandestina onde permanecemos durante mais de uma semana para trabalharmos questões sérias acerca da discriminação através de uma dinâmica de educação não-formal.
O Grupo
A língua base de entendimento mútuo entre todos foi o inglês, embora nos pudessemos entreter a tentar falar um pouco de lituano ou grego. No entanto, a forma universal de entendimento foi sempre, mas sempre a língua gestual.
Primeiramente, os temas foram apresentados através de teatros exemplificativos dos vários tipos de discriminação mais evidentes por países. Daqui ressaltaram grupos de trabalho para os dias seguintes onde, em pequenos grupos, se debateram questões relacionadas com as dicriminações sociais (entre ricos e pobres); discriminações raciais (imigração) e discrimações sexistas (homem/mulher/gay/lésbica).
Discriminação Social
Discriminação Racial
Discriminação Sexista O interessante desta experiência europeia, para além de reflectirmos e debatermos sobre um tema comum e aprendermos que cada um pode criar situações de discriminação na vida quotidiana, e que a discriminação existe em diferentes países e em diferentes realidades; foi podermos desenvolver conhecimentos artísticos entre os participantes, a fim de construir um workshop sobre discriminação, evento este aberto à comunidade local de Rochefrort-en-Terre.
A actividade final dos diferentes grupos de trabalho consistiu, então, na apresentação pública, num bar da região (Café de la Pente - um bar freak, alternativo e com espírito comunitário), à comunidade local, de actividades que tinham como referencial a comunicação internacional através das artes (dança, performance, mímica, música, teatro, jogos etc.) para que a população local, de características conservadoras, pudesse compreender o motivo da permanência destes “estrangeiros” na sua terra. De toda esta experiência, saíram trabalhos bastante interessantes. Apesar das dificuldades de descoberta de competências, o empenho de cada um foi tal, que pudemos contar com a comunidade de Rochefort-en-Terre em peso para nos ver a representar. Jornalistas e presidentes de associações contra a discriminação estavam presentes. Foi o momento auge, de uma semana de esforço, aprendizagem e empenho.
Uma das Perfomances
Jornalistas em observação Alguns dos "actores"
Sem dúvida que não irei esquecer esta experiência de interculturalidade que tanto me fascina e move a partir vezes sem conta do meu próprio país. São experiências como esta que marcam pelo valor afectivo trocado com outros estrangeiros que partilharam a mesma dimensão que a minha: a luta por um mundo mais igual. Afinal, faço parte de grupos minoritarios que são discriminados diariamente. E tu, também não farás parte?

22.3.09

As Lojas de Rochefort-en-Terre

Rochefort-en-Terre pode ser uma pequena vila, comparativamente com o "meu mundo" onde diariamente habito. Mas a nível de lojas, estas apresentam-se como entusiastas e diferentes daquilo a que estou, normalmente, habituado a observar.
São lojas castiças, pequenas, bem-decoradas e, algumas delas, com temáticas retrô: as lojas dos chapéus, das luvas, e pequenas retrosarias. Mas a arte e a cultura estão também presentes: lojas de artesanato, de exposições, livrarias fazem parte desta vila.
A originalidade de cativar o publico-alvo encontra-o na forma como publicitam o seu comércio: através de letreiros originais e, maioritariamente, pintados à mão colocados por cima da porta de cada loja.
Olaria(esq.)____Café da Ponte (dir.)
Loja de Bijuteria (esq.)____Loja dos Chapéus (dir.) Loja de Exposições (esq.)____Padaria (dir.)
É por tudo isto que esta terra é mágica. E não tenho dúvidas de afirmá-la como sendo "Terre Happy"...

Intercâmbio em Rochefort-en-Terre

Entre os dias 31 de Agosto a 8 de Setembro de 2008, parti em direcção a Rochefort-en-Terre, uma terrinha no meio do nada, com pouco mais de 600 habitantes, situada perto de Redon, na Bretenha, em França. O objectivo: participar no intercâmbio juvenil "Youth in Action Against Discrimination", juntamente com outros jovens provenientes de Espanha, França, Grécia, Itália e Lituânia.

O Centro da Vila

Na manhã seguinte à minha chegada, saí de casa para ir decobrir esta vila lindíssima. Rochefort-en-Terre não tem muito para ver, diga-se, uma vez que tem, única e exclusivamente, uma rua principal, onde se encontram as lojas de artesanato, de arte e sabonetes.
Estamos perante uma vila medieval, toda de pedra, com casas e calçadas antigas mas requalificadas. Somos, imediatamente, cativados pela simplicidade das ruas e ruelas estreitas e sinuosas. Algumas casas mantêm, ainda, os seus telhados negros e a fachada original de madeira. Mas uma coisa que me impressiona nesta vila é que nada (mas nada mesmo) parece estar fora do lugar! Há flores de várias cores em várias floreiras e recantos espalhados pelas ruas, e por todo o lugar que passemos há varandas, portas e fachadas de casas repletas de cores vivas, e é por isso que Rochefort-en-Terre é considerada uma das melhores vilas florais de França.

As casas típicas medievais da vila

Enquanto circulo pelas ruas consigo sentir, no ar, o cheiro agradável a biscoitos acabados de fazer... quetinhos! Descubro que na vila há várias casas destas de biscoitos caseiros de vários feitios, tamanhos e sabores. Entro numa delas e, após meia hora, saio com duas caixas metálicas e três sacos de papel repletos de bolos e bolinhos...
Esta terra faz-me lembrar uma terra encantada. Por onde quer que ande há sempre símbolos que me transportam para um local mágico, de fadas, duendes, gnomos, caldeirões, bruxas, ervas e poções mágicas, florestas, sábios, e magos. Nas lojas que entro, nas ruas que passeio ou nas pessoas que encontro há sempre algo que me faz ter esta sensação. E não é apenas porque vejo. Mas é porque sinto!
Uma vila cheia de magia

20.3.09

Viajar de TGV com Um Sorriso na Cara

No verão de 2008, mais precisamente no início do mês de Setembro, parti em Direcção a Rochefort-en-Terre, em França, para poder participar num intercâmbio de jovens. Após ter chegado ao aeroporto de "Charles de Gaulle", em Paris, tive de esperar cerca de 4 horas para poder apanhar o famoso TGV (do francês: train à grand vitesse), o comboio a grande velocidade, um verdadeiro símbolo nacional em França, e como dizem, até ao momento é o comboio de maior sucesso na Europa.
A viagem até Rennes, capital histórica da Bertanha, demorou aproximadamente mais 4 horas, após 4 horas de espera. Sim, isso mesmo! 4 horas para chegar ao destino! Um comboio a grande velocidade que demora tempo e tempo e tempo para nos levar onde queremos. Por isso questionei: onde estará a "grande velocidade"? Para ser muito sincero não sinto grande diferença na velocidade entre um TGV e um comboio da linha de Sintra. Talvez esteja a exagerar, claro, mas a diferença não é lá muita.
Ia com tantas expectativas que pensei, deveras, poder andar agarrado ao assento do comboio, com os dedos metidos dentro do banco, os dentes cerrados, os cabelos ao vento e os olhos semi-cerrados devido à grand vitesse. Mas não... nada de extraordinário. Talvez as boas comodidades distrairam a minha mente de tal forma que nem dei conta de ir a extrema velocidade.

Mas uma diferença senti entre o TGV e os comboios da Linha de Sintra: os revisores! Alegres e bem dispostos que bem se distanciam das caras cizudas dos nossos portugas. Imaginem um revisor-palhaço que distribui balões às crianças, que se mete com as velhas parisiences que trazem baguetes debaixo dos sovacos cheios de pêlos, que fazem truques de magia e distibuem sorriosos e olhares esbugalhados. É realemnte fantástico!

Talvez não tenha sentido a velocidade porque durante muito tempo me tenha distraído com estas pequenas coisas.... talvez! E adorei!