14.3.10

Uma Noite Cheia de Emoções

Depois de mais um dia por Poznan, chagamos sempre cansados a casa. Apanhamos o último horário do autocarro especial que nos traz até Kórnik. Usualmente, despedimo-nos uns dos outros, combinamos o horário de encontro para o dia seguinte, e cada um vai para as suas respectivas famílias.

No entanto, esta noite foi diferente!

Mal saímos do autocarro especial, houve participação massiva e completa de todos numa MEGA guerra de bolas de neve, alí mesmo, junto à paragem. Nela incluímos, obviamente, outros jovens que, nada tendo a ver com este grau de loucura (quase a roçar um psicotismo grupal), mas que por alí passavam. 


Corri sobre aquela imensa neve, com medo de todos. Corri, também, para me "vingar". Ri-me desalmadamente, num contínuo e em gargalhada estridente. Com as luvas formei bolas gigantes de neve e atirei-as a quem ali se econtrava. Foi um momento único que me fez recordar tempos de crianças em que as formalidades ainda não estão activadas no nosso "chip" de adulto. Corremos, brincámos, rimos. Decerto, sei que seremos muito mais felizes quando aprendermos a viver fora de uma rotina e de formalidades comportamentais. 

"Fica mal se fizeres isto", "Parece mal se te comportares dessa maneira", "As pessoas da tua idade já não têm esse tipo de comportamento". Decerto, todos nós já ouvimos este tipo de regras para poderem ser cumpridas ao se activado o "chip" de vida adulta. Mas quem forma as regras? Existem mesmo regras? Para que servem se nos castram?

Se encontramos a felicidade e vivemos desreprimidos relativamente às regras estipuladas pela sociedade, então, cada vez mais tenho a certeza que o caminho é por aí mesmo: continuarei a correr livremente, a brincar como uma criança, e a rir de forma descontrolada. Porque isso dá-me vida!

No bar em Kórnik

Não cumprimos as regras e não fomos, imediatamente, para casa. Fomos, em grupo, para o único bar existente em Kórik, mesmo em frente à minha casa de acolhimento, para continuarmos a festa em grupo. Uns beberam umas cervejas, outros sumos. E alí deixámo-nos estar em conversas, sem nenhum conteúdo, aparentemente, interessante, mas que nos fazem descobrir os laldos uns dos outros.


O bar de Kórnik visto da janela do meu quarto

Chegámos a casa não muito tarde, até porque a nossa família estava à nossa espera, tal como todas as noites. Sabendo disso, saímos do bar, e simplesmente atravessámos a rua para estarmos em casa. Á nossa espera estavam, ansiosamente, todos reunidos para poderem estar connosco. A mesa posta na sala com algumas entradas e bebidas, permitiu-nos, apesar de cansados, ficar confortavelmente a descobrir-mo-nos mutuamente. Ambos quisémos saber mais. Histórias com conteúdo, outras nem tanto. Apenas o simples facto de querermos, implicou-nos a ouvir, a estar, e a permanecer até tarde... Adorei esta noite!!!!    

Nós com a família Taciak reunida

Mensagens de Esperança

É também aqui no MTP que se realizam as orações comunitárias, 3 vezes por dia: ao almoço, à tarde e à noite. Para quem desconhece do que se trata, nada tem a ver com o conceito habitual de orações, de reza, ladainhas, terços ou afins. Não... Taizé é diferente! Porque como é uma comunidade ecuménica, tem de respeitar todas os credos cristãos. E a melhor forma de o fazer, é através do canto!


São cânticos que têm alma, que falam por si e que nos tocam. A beleza das vozes cantadas entre milhões de jovens que se reúnem aqui é indescritível, e até o mais leigo humano é incapaz de se sentir atraído por estes momentos.

Os jovens presentes no encontro reúnem-se, na totalidade, unicamente, nestes 3 momentos do dia. E aqui gera-se, sem dúvida, uma força única que levamos para os nossos países, terras, cidades, famílias e amigos. São estas orações comunitárias e os "workshops", enriquecidos com testemunhos de pessoas empenhadas na procura de mais justiça, mais solidariedade e mais paz no Mundo, que permitem que, quando regressamos aos nossos países, também nós nos empenhemos nessas causas nobres. A liberdade pela qual tantos lutaram no século XX esteve no centro dos debates, para que possamos, também nós, dar sentido à liberdade.


São assunto sérios que se debatem com uma profundidade que nos toca e impele a agir. Jamais as mensagens destes encontros me deixaram imunes. Elas são simples, e implicam-nos na construção de uma sociedade mais justa.

Mudar concepções, pontos de vista, ideias, atitudes e comportamentos nos jovens de todo o mundo, sem nunca se ter uma atitude moralista, é fazer deles seres humanos empenhados, participados num mundo que também é deles. Por isso, é muito comum observar-se vários jovens, como este da fotografia, que após o término do "workshop" ou das orações ficam sentados a digerir e a interiorizar mensagens de esperança. Porque o que se ouve é forte e o que se vive é especial.


"(...) Aprendermos a não termos tudo preserva-nos do isolamento. As facilidades materiais levam  muitas pessoas a fecharem-se sobre si mesmas, descurando as verdadeiras formas de comunicação.

 (...) Há muitas iniciativas de partilha que estão ao vosso alcance: desenvolver redes de entreajuda, favorecer uma economia solidária, acolher os imigrantes, viajar para compreender por dentro outras culturas e outras situações humanas, promover geminações de cidades, de vilas, para ajudar aqueles que precisam de auxilio; utilizar bem as tecnologias para criar laços de apoio...

Permaneçamos atentos para não nos deixarmos invadir por uma visão pessimista do futuro, focando-nos nas más notícias. A guerra não é incevitável! O respeito pelos outros é um bem inestimável para preparamos a paz (...)

As análises e os apelos com vista a promover a justiça e a paz não faltam. O que falta é a motivação necessária para preservar para lá das boas intenções. (...)"
(Carta da China, 2010)

1.3.10

Comer Simplicidade, Beber Acolhimento

O Miedzynarodowe Targil Poznanski, ou para nós estrangeiros, o MTP (por ser mais fácil de se pronunicar), foi o local onde o encontro de Taizé se realizou. Foi aqui que 30 MIL JOVENS, de todas as partes do mundo, se reuniram, várias vezes ao dia, para conhecimento interior, partilha, convívio e para realizarem as refeições.


O espírito destes encontros são sempre de simplicidade.
Há voluntários no MTP por todo o lado que ajudam e auxiliam nas tarefas necessárias. Nas horas de almoço ou jantar juntam-se filas de voluntários. Uns distribuem as comidas, outros recolhem o lixo e outros indicam as pessoas para os locais. 

O espírito é mesmo este. Que tudo possa ser feito com voluntariado. E por isso, as condições são mínimas: sentamo-nos no chão para comermos, retiramos da nossa mala os talheres trazidos de casa, e comemos a comida enlatada distribuída. É oferta, o tradicional chá quente de taizé distribuído a todos os participantes.


No entanto, apesar das condições, a alegria que se vive uns com os outros  nestes encontros é de tal forma viciante, que chegamos a sentir falta caso não possamos vir no ano seguinte. Por isso digo: Aqui comemos simplicidade, mas bebemos acolhimento!

28.2.10

Verdadeiros Flocos de Neve

Já tive a oportunidade de estar em diferentes locais com temperaturas um pouco agrestes. Estes dias que aqui estive também não foram excepção. Foram, relamente, rigorosos! Além do frio, a chuva caía de forma intensa, cobrindo, os automóveis, as casas, as árvores, gorros e chapéus de chuva.


No entanto, uma coisa aqui descobri e que nunca tinha visto. Que os flocos de neve são em forma de estrela, como sempre tive no imaginário. E vê-los cair, desta forma, fez-me invadir de uma alegria tão grande. Vê-los foi perceber que a natureza é, realmente, bela e comovente.

Um dos Flocos de Neve

A Família Taciak

Sinceramente, nem sei muito bem como descrever, nem o que falar sobre a família Taciak que nos acolheu durante 4 dias. Há tanto para contar. São tantos os sentimentos. Foram tantas as vivências em conjunto. Nunca, em todos os 7 encontros internacionais em que já participei, fui tão bem acolhido. It's True!


Apresento-vos aqui a "foto de família" completa, tirada para um momento mais formal. No entanto tenho outras, mais informais, que ao vê-las trazem-me sensações de grande felicidade conjunta.

O pai (Antoni) é um homem acima dos 50 anos de idade. Profissionalmente trabalha na área da vinicultura e durante alguns anos trabalhou na Alemanha, e por isso, ainda hoje consegue falar algumas palavras de alemão. Inglês nada! Tem uma paixão pela música, e lá em casa respira-se música. Conserva até hoje um gira discos antigo, que tem a honra de o pôr a trabalhar em ocasiões especiais, tal como, o jantar de ano novo. 

A mãe (Antonina) é proprietária de uma loja de roupa, situada mesmo ao lado de casa. Inglês nada, também! Mas fala. E muito! Fala com os olhos, com o sorriso e com os gestos. É religiosa e a mentora por levar para o resto da família o espírito de Taizé, em querer acolher jovens na sua casa. Foi por ela que, no regresso, chorei quando me despedi da família, porque mesmo não falando, ela foi capaz de me dizer tanto, em silêncio, pelo seu testemunho de vida.

Nóes com a Maria Taciak

A Maria, de 16 anos, era a filha mais nova. Foi ela que nos fez o primeiro acolhimento, dando-nos a conhecer a sua pequena vila. Maria é uma menina prodígio. Um pouco envergonhada, mas sabe cantar como ninguém. Fiquei estarrecido ao ouvi-la, e de boquiaberta ao vê-la a tocar piano.

A Mónika, era a irmã mais velha. Com ela não tivémos muito contacto porque, devido ao trabalho, não pôde estar muito tempo connosco.

Contudo, Maegorzata (Gôsia), a filha do meio, e a única da casa que sabia falar bem inglês, foi com quem tivémos mais contacto. A entusiasta da família, curiosa e aventureira por natureza. Contou-nos e mostrou-nos em fotografias que já tinha estado em Portugal com o namorado, percorredo-o de Norte a Sul. Regressou para a Polónia à boleia. Grande maluca!


Recordo, tantos bons momentos juntos. Recordo o cão da família a roer-me as peugas debaixo da mesa. Recordo a comida que a família nos fazia. Recordo as gargalhadas dadas ao tentarmos cantar Karaoke em polaco. Recordo o sorriso da "nossa" mãe e a alegria que sentia em ter-nos lá em casa. Recordo cada coversa. Recordo o dinheiro que a "nossa" mãe nos colocou na algibeira para lancharmos, tal como fosse a nossa própria mãe. Recordo pequenos gestos. Recordo noites acordadas a falarmos. Recordo a música cantada ao piano. Recordo a viola, a passagem de ano, o enorme bolo, a gentileza, a disponibilidade. Recordo tanto!!!! Esta é mais uma família que ganhei e tenha  certeza que a família Taciak também cresceu!

16.2.10

De Portugal ou de Malta?

Fomos um dos últimos grupos a ser alojados. Mas ficámos no centro de Kórnik.
Foram 2 crianças polacas que se voluntariaram para nos ensinarem o caminho até à nossa casa. Á chegada, teríamos, obviamente, muitas expectativas sobre a família que nos iria acolher.
Batemos à porta, e alguém nos abre a mesma.

A casa da Família Taciak

No outro lado, encontramos o pai (Antoni) e a filha de 15 anos (Maria) com um sorrido de todo o tamanho. Eles já nos esperavam à algum tempo. É uma família composta por 5 pessoas. Contudo, no momento em que entrámos em casa, só se encontrava o pai e a filha mais nova. Ambos não sabiam falar Inglês.   

Apresentámo-nos, dizendo cada um o seu nome. E a pouca conversa que nos surgiu era de tal forma simples para podermos exemplificar com gestos.

Apontámos para o cão que o pai trazia no colo e fizémos-lhe um sinal de "fixe" com o dedo polegar para cima, mostrando-lhes que o cão era tãããããõooooo fofinho!


O pai, olhou para nós e pronunciou - "MALTA".

Pela dificuldade de comunicação, sorrimos entre nós e respondo ao mesmo tempo que gesticulo:
- "MALTA NÃO! ESPANHA... PORTUGAL", querendo a todo o custo mostra-lhe que não somos de Malta, mas Portugueses.

O pai sorri ainda mais que nós. Ficámos a olhar para ele sem saber o motivo. Acena com a cabeça e aponta para o cão, verbalizando mais uma vez  - "MALTA".

Conclusão: Cão Maltês. Portugueses anormais. Risada geral.

Em Kórnik: Alojados Longe Do Centro de Poznan

Depois de nos darem todas as indicações no acolhimento, o grupo no qual eu tinha ficado, partiu em direcção à localidade que nos iria alojar. O grupo EK08 iria para Kórnik, um pequeno vilarejo a quase 1 hora de distância do centro de Poznan.  

O grupo EK08

Apanhámos um eléctrico velho e mais uma camioneta a cair de madura. Aqui, tudo parece ter-se cristalizado no tempo. As coisas são antigas e com um ar sinistro de tal forma que nos faz parecer retornar aos anos 70, aos períodos de guerra. Mas mesmo assim, conseguimos chegar ao nosso destino.

À chegada, estavam também outros voluntários à nossa espera com cartazes que nos davam as boas vindas em várias línguas: "Dobrodosli", "Bun Venit", "Witamy", "Welcome", "Bem-vindo" e "Bienvenue".

Levaram-nos até ao salão próximo à igreja para aí podermos descansar, aquecer um pouco e comer alguma coisa. Nele estavam também outros pessoas de outras nacionalidades que tal como nós, tinham acabado de chegar.

A Igreja de Kórnik


Distribuíram os grupos pelas casas de acolhimento. Alguns de nós tiveram de ficar alojados para além de Kórnik, ainda a uns bons quilómetros. Outros, como eu, ficaram mesmo no centro da vila, tendo ficado na mesma casa com mais outros 2 portugueses: o Nuno e o Jorge.

Talvez tenhamos sido o grupo que tenha ficado mais distanciado do centro do encontro internacional de jovens. Mas a distância, permitiu uma coisa: que entre nós se tenha estabelecido laços de amizade profundos, possibilitados pelas longas conversas dentros dos transportes públicos.  Bons momentos estes passados em conjunto!  

O Jorge que nunca quer aparecer nas fotografias. Defeito de fotógrafo!

A Separação na Chegada a Poznan

Já lá vão 4 dias desde que parti de Portugal.
Já passei por tantos locais. Já parei em tantos países. Já conheci tanto que faz-me parecer que ando a viajar há mais de uma semana. Mas é por este facto que também já começo a sentir algum cansaço, pelas noites mal dormidas, e as comidas mal comidas!


Chegamos a Poznan (Polónia) no dia 29 de Dezembro, pela manhã. Lá fora, está um frio de rachar, e encontro junto a umas árvores as boas vindas, em várias línguas, a todos aqueles que vão chegando. Encho-me de alegria por ver voluntários que nos vão dando as boas vindas, desejando-nos um bom encontro, e ajudando-nos com o carregamento das bagagens. Saimos do autocarro e "desencaixotamos" a bagageira repleta de malas, e com elas às costas seguimos até ao local do acolhimentos dos portugueses.


No local do acolhimento recebemos todas as informações de como se processará o encontro: indicam-nos os horários dos workshops, entregam-nos um mapa da cidade, um pequeno rádio para podermos ouvir as traduções, a distribuição das tarefas para voluntariado, e umas tantas outras informações disponíveis em papel que carregamos dentro da mochila.

Informam-nos também que um grupo tão grande não poderá ficar todo junto, até porque, há mais famílias a quererem acolher jovens do que o número existente de jovens para serem acolhidos. Desta forma, deveremo-nos separar em pequenos grupos de 10, para posteriormente sermos separados pelas várias regiões da cidade, voltando-nos a reencontrar a meio, ou para alguns, no final do encontro.

O grupo dos portugueses do EK08

Após alguma confusão na separação do grande grupo, fiquei então inserido num grupo de 11 pessoas que ficou alojado a 1 hora de Poznan, na localidade de Kórnik. A identificação com o grupo foi evidente. Um grupo super porreiro e com um humor exepcional.

Para que não nos perdessemos uns dos outros no meio de tanta bagagem, de pessoas e transportes públicos, a cada um foi atribuído um número de 1 a 11, que cada um gritaria o seu por ordem crescente. A risada foi geral, especialmente em situações de correria para apanhar transportes até chegada a Kórnic.

Luzes de Natal Mudam a Perpectiva

Chegamos a Praga ao início da noite. O autocarro estaciona perto da ponte Carlos. A maior parte dos que vieram comigo viajar ainda não conhecem a cidade. Uma vez que aqui estive recentemente, no mês de Abril, não me importo de fazer de guia: poupamos tempo e, ao mesmo tempo, tenho o previlégio de lhes mostar as ruas e monumentos que me marcaram quando aqui estive.    

É certo que não lhes pude mostar a totalidade da cidade, pelo pouco tempo que dispunhamos. No entanto, a "créme de la créme" de Praga foi vista. Percorremos a Catedral de S. Vito, a Rua Nerudova, a Igreja de S. Nicolau, a Ponte Carlos, a Praça da Cidade Velha, e o relógio astronómico.

Está imenso frio na rua. Tanto, que somos incapazes de permanecer mais de 2 ou 3 minutos em cada local visitado. Por isso, a caminhada faz-se rápida e com longas passadas até chegarmos ao nosso destino. Mas em cada local, há algo que estranho e que torna ainda, esta cidade, algo mais especial. Há algo que me faz reencantar por Praga. Observo atentamente e percebo que as luzes de Natal e o brilho da decoração fazem da cidade, uma cidade com outro brilho e beleza.     

 
Praça Central de Praga

Lembro-me de ser criança e sonhar ao sabor do filme "Sozinho em Casa", e observar grandes e luminosas árvores de Natal. Chego à praça central de Praga e a beleza que outrora encontrei aqui está agora redimensionada numa outra perspectiva que me faz recordar os tempos de meninice, de quando sonhava um dia poder passar esta época natalícia envolto neste espírito.

Senti-me de volta ao meu mundo infantil. 
Foram as luzes brilhantes, as árvores gigantes, e os monumentos ornamentados. Foi o frio, os gorros na cabeça e as luvas calçadas. Foram as gargalhadas entre amigos e o chocolate quente. Foi tudo isto que fez deste momento, um momento completamente diferente daquele que vivi.

Por isso, acredito que revisitar cidades e locais é, sempre, uma experiência diferente. Os momumentos são os mesmos, mas a forma como vivemos o momento, esse depende sempre de causas exteriores: As luzes mudam a nossa perspectiva! 

7.2.10

Haverá Melhor...

...do que poder dormir em Munique, almoçar em Salzburgo e jantar em Praga???? Adorei!!!! (28 Dez. 09)

Jantar num dos restaurantes da praça central de Praga

A Cidade Vista da Fortaleza de Hohensalzburg

Conhecendo pouco da cidade, sabia única e exclusivamente, que deveria ir até ao castelo. Não sei bem o porquê.  Mas tinha-me dito que, se não conseguir ter muito tempo para ver Salzburgo, pelo menos teria de ir à fotaleza de Hohensalzburg, situada no cimo do Monchsberg. E foi isso que fizémos!


Num pequeno grupo, e um pouco apressados, fomo-nos seguindo uns aos outros em direcção ao funicilar, a partir da Festungsgasse. A subida foi rápida, demorando menos de 3 minutos. E lá de cima, encontrei a melhor vista panorâmica da cidade, com uma silhueta inconfundível. E nesse momento entendi, perfeitamente, o conselho para visitar esta fortaleza, a 120 metros de altura, considerada a maior e mais bem conservada da europa central.

A vista da cidade da fortaleza Hohensalzburg

Daqui de cima, observam-se torres e telhados que se extendem sobre toda uma textura urbana que mostra vestígios de distintos estilos (barroco, gótico, românico), com a catedral como um dos elementos destacados. 
Juntam-se aos estilos, as casas senhoriais de uma burguesia sensível à beleza. Juntam-se, também, fontes, estátuas, jardins e um rio que corre pelo meio desta urbanidade, completamente integrado numa imagem idília. 
A Fortaleza Hohensalzburg
Contemplo esta paisagem, por mais algum tempo. E por cada tempo mais que ali fico, sinto em mim uma vontade incontornável de memorizá-la. São imagens como estas, que certamente, para além da fotografia, queremos guardá-la nas nossas memórias internas, desejando, sempre, que elas possam fazer parte, das nossas vivências, até ao momento de morrermos.

E quando partir, sei que terei vivido. Fecharei os olhos, e recordarei cada um destes lugares especiais. E esta vista, estará, também, lá presente!

24.1.10

Da Catedral à Kapitelplatz


Atravessamos a rua pricipal, por entre o mar de gente, até ao final. E ao lá chegar, ficamos perdidos. Não de ninguém, mas sem saber para onde irmos. Não sabemos o que há para visitar e conhecer, até porque não viémos preparados com guias nem mapas. Decidimos perguntar a alguém local que nos desse algumas orientações e foi, através delas, que conseguimos chegar até à Catedral (Dom), que fica por trás da Getreidegasse.


A Catedral (Dom) de Salzburgo

 É uma catedral lindíssima, situada numa praça cheia de vida. A sua imponente fachada faz querer que qualquer um que por alí passe, entre e se deslumbre com a sua dimensão. É dentro dela que se faz presente, entre outros elementos de interesse, a pia baptismal onde foi efectuado o baptismo do filho desta cidade - Mozart.


 Kapitelplatz

Pelo caminho encontramos outros do grupo. A nós, juntam-se a Tixa e o seu namorado, - Rogério, o Duarte, a Joana e a Andreia. Em grupo, seguimos caminho após termos comido qualquer coisa ali mesmo junto à Catedral, nas barraquinhas ambulantes. 

E não muito longe da Catedral encontra-se a Kapitelplatz, uma praça imensa onde se aglomera, também, imensa gente. Apesar do frio, está uma tarde se sol, e talvez seja por isso, que inúmeras pessoas se passeiam por aqui, tal como eu. Sigo adiante, e pelo funicular subo até ao castelo e deixo-me deslumbrar com a beleza da paisagem.

 


Passear Pela Getreidegasse

Saio do autocarro e, distancio-me, um pouco do resto do grupo. Não por não querer a companhia dos restantes, mas porque sei, por experiência, que caminhar com um grupo mais alargado torna-se mais complicado em questões de tempo: porque um precisa de ir à casa de banho, outro de comprar a lembrança para a família, o outro porque quer ir ver algum monumento indicado pelos amigos, ou qualquer outra desculpa.

É por isto que, quando tenho pouco tempo, prefiro passear apenas com 1 ou 2 pessoas e desde que elas se conheçam o suficiente para não perderem tempo a "discutir" o que cada um gostava, ou não de ir visitar.



 A rua principal de Salzburgo - Getreidegasse

Sem mapas, nem guias seguimos, mais uma vez, a nossa intuição à descoberta da cidade e da sua história. Conseguimos chegar, com relativa facilidade, até ao centro histórico de Salzburgo. Atravessamos a  pequena Ponte Staatsbrücke por onde passa o rio Salzach, e a poucos passos surge-nos a famosa Getreidegasse, uma rua pedonal considerada a principal rua comercial da cidade.

 

A rua é estreita, e nela circulam imensas pessoas locais e turistas. A base dos prédios está repleta de lojas que esmagam o olhar a quem passa. Getreidegasse é também conhecida pelos famosos letreiros das suas lojas, cuidadosamente, ornamentados.

São extremamente chamativas estas lojas e ao olhar para elas, apetece-me entrar em cada uma  Mas o pouco tempo que dispunha para ver a cidade foi o melhor amigo para não o fazer. Decidi avançar pela calçada, pelo meio do mar de gente que de todos os lados avistava.





No nº9, encontra-se a casa onde nasceu  Mozart, no coração da cidade. Anualmente, esta casa-museu é visitada por milhares de curiosos e amantes das suas obras, ávidos por descobrir os segredos da atmosfera que inspirou o músico desde pequeno. Por questões de tempo optei por não entrar, não só pela longa fila de espera, como também, por já ter entrado na casa onde Mozart viveu em Viena.

 
 A casa de Mozart

Aqui vive-se o espírito da música erudita. Por toda a parte, em cafés, restaurantes, e nas avenidades da cidade há concertos e música. Mas, paralelamente, há também um grande negócio: há chocolates, imans, malas e comida que mostram o nome e o rosto de Mozart. 

São duas facetas de uma cidade, que para além da sua beleza, está a tornar Mozart como sendo, cada vez mais, o ex-libris da Salzburgo. Eu trouxe o meu íman, não com a cara de Mozart, mas com a forma de um violino!

Por Entre as Montanhas Imponentes de Mönchsberg e do Kapuzinerbrg

Conforme vamo-nos dirigindo mais para norte, é sentido, também, cada vez mais, um frio desconfortável e tradicionalmente diferente ao que estamos habituados em Portugal. Chegamos, então, a Salzburgo, ao início da tarde do dia 28 de Dezembro, esta maravilhosa cidade rodeada de magestosas e imponentes montanhas, que agora se afiguram cobertas de neve.



A imagem é idílica, daquela que às vezes costumamos ver, apenas ,em filmes. Com campos extensivamente verdejantes, reposando neles casas pitorescas com telhados poucos habituais, cuja envolvência é feita pelas montanhas, grandes e belas.



Rio Salzach e montanhas Kapuzinerbrg

Salzburgo está também rodeada pelo Rio Salzach, e todas as ruas medievais, abadias, palácios e monumentos encontram-se à sua margem.  Desde logo, sinto-me, completamente atraído por esta cidade.

Quero saír do autocarro a qualquer custo para perder o mínimo de tempo possível a descobri-la. Foi isso que fiz, em 3 horas em que lá estive. E tenho muito para contar. Garanto-vos!

18.1.10

Em Busca do Pin Encantado

Chego ao alojamento no Mosteiro Beneditino à hora recomendada. E quando chego, lembro-me que, pelo entusiasmo de conhecer a cidade, esqueci-me de comprar o pin de Munique, tal como é habitual, em qualquer outra cidade que vou.

Não há ninguém que se disponibiliza a correr comigo, para encontrar a estas horas da noite alguma coisa aberta. Fico um pouco sem jeito de tentar convercer alguém, apenas por um capricho meu. Além do mais, a noite estava gélida e o que todos menos queriam, era vaguear pela cidade.

A Andreia foi a única que se disponibilizou. Nem acreditei. Comecei logo a andar rápidamente, antes que pudesse desistir. Mas não. Acompanhou-me, sempre, na passada forte e ofegante, ao ponto, de observarmos o fumegar da nossa respiração. E nao desistiu.

Pelo caminho fomos conversando e conhecendo-nos melhor. Também ela é assistente social. Mais entusiástica que eu, na forma como fala na importância da defesa dos direitos humanos dos utentes que acompanhamos. Além disto, também descobri, que é uma incondicional mochileira, e que gosta de se fazer à estrada e partir vezes sem conta, seja com quem for.



Pelo caminho, até à estação ferroviária, observamos pequenos grupos de peões que aguardam, disciplinadamente, pelo sinal verde para atravessar a rua. Cheios de pressa, pelo tardio da hora, e com algum receio de não conseguirmos descobrir nenhuma loja aberta para comprar o meu pin, aderimos à maioria e aguardamos a nossa vez, irrepreensívelmente, mesmo sem avistar qualquer veículo nas imediações.

As “más tradições” lusas de comportamento social, como atravessar as vias fora das passadeiras ou quando o semáforo para peões está encarnado, são rapidamente esquecidas. Segundo a Andreia, aqui, as regras – estas e outras – são assumidas como obrigação.

Foi quase difícil de acreditar que estávamos na terceira maior cidade da Alemanha... O trânsito, esse, não era de todo intenso, e nós, ali, especados ao frio à espera de um sinal verde, quando, incompreensivelmente, ninguém está a circular pelas ruas.

Dentro da estação ferroviária consegui encontrar o pin. Estendo a mão, recebo o troco, agradeço e ponho-me a andar de volta para "casa". Quanto à Andreia, muito obrigado pela companhia. Quanto aos alemães, que tal uma aventura de vez em quando? Se lhes disseste que em Lisboa, raras são as vezes que são respeitados os sinais, acham que eles ficariam muito chocados????

Pelas Avenidas de Munique

Chegámos ao final do dia a Munique. As indicações que tínhamos era que, infelizmente, dispunhamos de pouco tempo para ver a cidade, uma vez que, o mosteiro beneditino obrigava-nos estar "dentro de portas" até às 21h30.

Apesar do visível frio, contrariado pelas camadas de roupa que me agasalhavam, não me senti intimidado nem quer pelo frio nem pelo pouco tempo. Agarrei no Nuno e pusémos-nos a caminho.


Na Karsplatz

Do nosso local de alojamento até ao centro, foram apenas uns poucos minutos, a pé, até lá. Sem qualquer guia ou mapa, iniciámos o nosso percurso seguindo a maioria das pessoas e as luzes. Foi o suficiente para nos fazer chegar até ao centro, que se inicia pela Karsplatz (foto acima). Nela estava instalada uma praça de patinagem no gelo, com algumas pequenas "barracas" que serviam comída e bebída típica. Imensos transeuntes e turístas ali se aglomeraram. Nós, também, parámos para observar. Mas decidimos avançar. Afinal, o tempo escasseava.


Rua Neuhauser Strasse

Após termos passado pela Karsplatz, entrámos na Rua Neuhauser Strasse, uma rua, exclusivamente, pedestre, larga, cheia de vida, com lojas exuberantes e com um glamour explendoroso proporcionado pelas luzes natalícias.


Muito apesar de cidade ter sido quase, totalmente, destruída durante a II Guerra Mundial, um passeio por Munique é o mesmo que comprar bilhete e embarcar numa viagem pela história da arquitectura. Passo a passo, entramos num museu a céu aberto, onde os traços do barroco, do gótico, do maneirismo e muitos outros compõem toda a paisagem.

E seguindo com passadas apressadas, fácilmente, chegamos à Praça MarienPlatz. Chegar a ela, de forma, inesperada, foi, certamente, para mim, uma emoção. Sem estar à espera, vejo-me alí no meio de uma praça magnífica cuja composição de luzes a torna ainda mais bonita. No momento senti-me previligiado por estar alí, no centro do centro desta cidade com cerca de 1,3 milhões de habitantes.


Praça Marienplatz

No meio desta extraordinária praça, encontra-se o prédio da Neues Hathaus (Câmara Municipal). Este prédio, é o coração da cidade. Todos os dias, milhares de turistas aqui passam para observar o glockenspiel, um instrumento musical, que está no alto da fachada. Tal como acontece, em Praga, também aqui, a várias horas do dia, os seus sinos executam um momento de verdadeiro show. Obviamente que, não tivémos a oportunidade de ver, pelo tardio da hora. Contudo, é, sem dúvida, uma razão para poder voltar com calma e tranquilidade a esta cidade.


Prédio da Neues Hathau

Com um frio incompreensível, tapo-me por completo, deixando apenas a descoberto os olhos. Á volta do rosto coloco o meu cachecol, e retorno ao alojamento, a passadas largas para fugir ao frio. Á chegada encontro outros amigos, que com sabor a Portugal, terminam a noite a comer chouriço assado mesmo alí na entrada do mosteiro... nesta noite grutescamente gelada.

13.1.10

O Banho Tardio Em Munique


Mosteiro Beneditino

Saímos de Zurique a meio da tarde. Chegámos a Munique ao início da noite (27 de Dezembro). São poucas horas de distância que separam as cidades. No entanto, para quem está de viagem há 2 dias, torna-se cansativo cada hora passada sentado na poltrona do autocarro. Precisávamos de descansar sem ser sentados.

Por, aproximadamente, 5 euros, ficámos alojados no chão de um Mosteiro Beneditino, com aquecimento, e situado bem no centro da cidade. Depois de uma noite mal dormida no autocarro, esta seria a noite mais desejável de toda a minha vida. Afinal, estava a ficar cansado... e sujo.

O problema emergente?

Apenas 1 chuveiro para 50 pessoas!!!!!!

Haviam de ver aquela água a correr durante toda a noite, desde as 22h até às 6h, sem nunca parar. Fiquei na lista de espera das 2h30 da manhã.

"A seguir és tu Nélson" - sussurram-me ao ouvido a meio da noite. Lá acordo ensonado, e com a trouxa no regaço, desloco-me até aos lavabos e tomo o melhor banho da minha vida, de duração de 10 minutos!!! Não podiamos exceder esse tempo! Boring... estava tudo controlado ao minuto! Mas digo-vos... VALEU! AH, SE VALEU!!!!



11.1.10

Caminhada Rápida Por Zurique

Estou no autocarro há mais de um dia. Esta noite foi difícil de dormir, muito apesar de ter sido o primeiro de todos a deitar-me no melhor local do autocarro: o chão! Mas mesmo assim, as curvas do motorista e a (quase) directa em cima, não me permitiram ter uma noite com, pelo menos, 1 hora de sono seguido.

A primeira paragem de todas faz-se em Zurique, onde aí aproveitámos algumas horas para conhecer a cidade.





Já tive a oportunidade de conhcer outras cidades Suiças. No entanto, neste país dos relógios, do chocolate, do queijo e da Heidi, Zurique é considerada uma das cidades com melhor qualidade de vida do MUNDO!!! E o que tem assim tão especial para poder ser assim considerada?



Zurique não tem só um bem-estar económico. Tem também um carácter cosmopolita e uma amálgama de influências que consagra esta cidade especial, envolta pela seu enorme lago Zurique. Aqui a maior parte da população anda de bicicleta onde puderá sempre estacionar, em qualquer lado, sem receios que a possam roubar.

Aqui há confiança. Pode-se sair à rua e observar famílias inteiras que se passeiam a pé ou em bicicleta, com crianças dentros dos cestos. Há famílias que se passeiam com os seus grandes cães pelas ruas e em todos os estabelecimentos comerciais eles são sempre bem-vindos. Aqui não há informações à porta a referir "proibida a entrada a cães". O mundo animal constribui, também, para a qualidade de vida dos moradores e por isso, são aceites sem restrições em qualquer lugar.



Percorrer Zurique a pé, quando se tem um par de horas para conhecer a cidade, é absolutamente obrigatório. Apesar de ser a maior cidade Suíça, possui um centro histórico e comercial que pode ser palmilhado em poucas horas. Foi exactamente, isso que fizémos. Sem ainda nos conhermos na totalidade, juntámos um pequeno grupo para calcorrearmos a cidade.



Um dos últimos locais que visitámos foi a estação central ferroviária, na intenção de comprar (como já é habitual) o meu íman de recordação. É a partir deste edifício grandioso que nasce a artéria principal - Bahnhofstrasse, famosa  pelo número de lojas luxuosas. Percorremos a rua movimentada pelos seus eléctricos azuis, e pela sucessão de tentações ao redor, em direção ao Rio Limmat.


Igreja de S. Pedro

É aqui que se encontra o centro medieval animados por pequenas lojas locais, e os monumentos mais antigos, como a Igreja de São Pedro, datada do Séc. VII, à qual foi acrescentada, mais tarde, o que é considerado (ainda) o maior relógio da Europa.

Passando uma pequena ponte por cima do Rio Limmat, encontramos a famosa Catedral Grössmunster. Apesar de não termos tido tempo para entrar na Catedral, pudémos observá-la sempre presente em quase toda a cidade junto ao Rio.


Catedral Grössmunster

É deste lado do Limmat que permanecemos mais tempo, por isso, considero esta parte a mais descontraída de toda a cidade porque a maior parte das ruas estão fechadas ao trânsito automóvel. É por aqui que a grande maioria das pessoas vagueia de bicicleta, e se encontram as lojas de roupa em segunda mão, de objectos de design, de artesãos, galerias de arte, bares e restaurantes e pequenas livrarias.


Rio Limmat

Senti que em Zurique, apesar de ser a maior cidade da Suíça, não há assim tanto para ver. O essencial dela está e vive junto ao Rio Limmat. No entanto, gostaria de poder ter tido mais tempo para me poder perder por pequenos pormenores, cheiros, conversas, para assim poder sentir, verdadeiramente, o que é estar na cidade com maior qualidade de vida do mundo! Talvez um dia possa cá voltar e dar uma volta de bicicleta ou de eléctrico azul... Quem sabe?