27.8.08

Desarmado. Mas Um Dia Eu Irei!

Imagina-te a planear uma das viagens da tua vida. Consegues?
Com toda a garra e determinação. Tens um ano para o fazer. Sentes que tens tempo mais do que suficiente para preparar tudo com afinco sem nunca ir demasiado aos pormenores, porque o interessante da viagem é esta base: a aventura!
Sem locais de pernoita, apenas as passagens de avião compradas e o itinerário mais ou menos traçado podendo ser alterado se assim o desejarmos. Comboio, camioneta, bicicleta ou riquexó tanto faz. O que interessa, verdadeiramente, é este espírito de aventura que te envolve numa vivência única de entrega ao mundo. Queres senti-lo. Queres viver cada momento e ter uma montanha de acontecimentos bons ou maus para poderes recordar, fora da imagem idílica de uma viagem turística, onde os bilhetes e percurso são comprados por uma agência, e te encaixotam num resort igual a outro na ponta oposta do mundo.
Durante meses trabalhas nesse mesmo sonho. Tens alguém para te acompanhar nele. Que bom que é partilhá-lo! Crias expectativas e começas a sonhar com as inúmeras possibilidades de acontecimentos susceptíveis de acontecer. Há dias que te ris disso. Outros, sentes algum receio. Receio, pela aventura que poderá não correr pelo melhor porque os perigos tornam-se iminentes: roubos, doenças, perda de comboios, dormidas na rua com saco cama em plena monção. Mas apesar de tudo aquilo que vais sentido, acreditas numa história que sabes que ficará para sempre a borbulhar viva e intensamente dentro de ti - por teres concretizado esse teu sonho. Sabes que o atingiste e por mais que vivas e experiencies outro tipo de situação semelhe, “aquele” foi o auge! Foi o momento. O grande momento! E nessa expectativa começas a preparar tudo. Pedes à tua entidade patronal um mês inteiro de férias. Com alguma relutância, conseguem organizar os horários dos funcionários para poderem dar-te o tempo que queres para poderes aceder a um egocentrismo teu. Compras os guias de viagem e devora-los em menos de nada. Leva-los para todo o lado e em qualquer parte aproveitas para beber um pouco mais dessa cultura, ao ponto, de chegares a sentir a própria cultura e costumes. Tens alguma dúvida se conseguirás habitua-te a ela. Mas não pensas muito nisso. Continuas a devorá-los à mesma.

Começas, então, a organizar a tua vida em função da viagem que queres fazer. Deixas de sair com alguns amigos e fazes alguns “cortes” nas tuas despesas. Começas a poupar em tudo o que podes para poderes ter dinheiro suficiente para te manter um mês fora do teu país. Fazes ainda alguns sacrifícios maiores. Mas sabes que não te vais arrepender. Disso tens a certeza.

Falas aos amigos, familiares e colegas de trabalho desse teu sonho. Respondem que és maluco em fazeres esse tipo de viagem. Ris-te. E sabes que sim. Que tens um certo grau de loucura entranhado em ti, mas não te importas.

Perdes tempo em questões necessárias e práticas no planeamento e organização da viagem. Telefonas para as seguradoras no sentido de te precaveres de alguma doença que te possa assolar e que rapidamente terás de ser transportado de urgência para Portugal. Fazes várias simulações e tentas perceber os vários preços que se adequam melhor aos teus receios. Contactas também com o teu médico de família. Pedes-lhe informações. Ele manda-te fazer algumas análises. Tiras sangue e percebes se ainda tens alguma imunidade perante algumas doenças. Receitam-te a terapêutica e encaminham-te para o Instituto de Higiene e Medicina Tropical para uma “consulta do viajante”. Falas com amigos de amigos que também já realizaram uma viagem semelhante e ao mesmo país que tu. Crias ainda mais expectativas ao ouvires com um sorriso enorme tudo o que te contam. Marcas cafés com esses amigos, onde em cima da mesa no Adamastor, em Lisboa, começas a desdobrar o mapa e a delinear possibilidades de itinerários. A cada dia que passa começas a conhecer melhor essa cultura. Investigas. Procuras. Vives da net e deixas horas de sono por serem dormidas. Estás impelido a viver dessa forma, pois como dizem “o sonho comanda a vida”. Começas a iniciar algumas compras necessárias para tal: desde a pequena lanterna, passando à almofada para colocares no pescoço enquanto viajas horas a fio de comboio. Compras uns óculos de sol novos, mesmo sendo comprados no Centro Comercial Mouraria. Compras também o líquido para as lentes de contacto, numa dimensão que possa passar pela alfândega no avião. Investes em roupa fresca e t-shirts de algodão como indicam os guias de viagem. Empenhas-te numa máquina fotográfica de mais de 500 euros, para poderes captar os momentos da viagem da tua vida. Como mochileiro que és, já tens a tua própria mochila, velha, rota e desgastada, que só tu mesmo dás valor por ter ido viajar contigo já por tantos outros lugares. Investes numa outra, e compras mais uma mochila pequena para transportar os pequenos haveres: comida, guias e mapas, uma camisola para o frio, dinheiro, documentos e uma pequena garrafa de água. Chegas ao ponto de realizar uma pequena lista com tudo aquilo que tens de levar e com tudo aquilo que te falta comprar, e chegas ainda ao ponto de teres o teu itinerário escrito numa tabela que contem os dias, os locais de passagem, de pernoita, os números e nomes dos comboios a apanhar, o nº de horas de viagem, e pequenas observações.

Hierarquizas prioridades poucos meses antes de partires. O tempo avança! Sabes que tens de comprar primeiro as passagens internas – uma vez que as restantes viagens já estão compradas - depois dar uma vista de olhos pelos horários de comboios e camionetas da comunidade local, seguindo-se a vacinação, os seguros e a digitalização dos teus documentos para poderes enviar por e-mail para ti próprio caso percas ou te roubem a tua “papelada”. O período de férias inicia. Deixas de fazer aquilo que realmente gostas – viajar com os amigos – porque já tens a tua própria viagem marcada, pensada, envolta em sentimento, afectividade e expectativas. Os teus amigos vão para fora em pleno verão. Uns voam até Sydney, outros Barcelona, Madrid, Sesimbra, Algarve, Odeceixe… todos te convidam para poderes ir com eles. Sorris e dizes que estás a juntar dinheiro e que não podes mesmo. Respondes com um brilho nos olhos: “Vou para a Índia! Um mês!” . Rejeitas qualquer hipótese de ir para outra parte do mundo. Afinal… sonhos são sonhos! A duas semanas de partires, telefonas ao teu amigo que irá fazer essa mesma viagem contigo para delinear as últimas questões. Sentes na voz dele que algo se passa. Mas não ligas. Responde-te, apenas que não poderá ir ao teu jantar de aniversário. Não questionas. Mas segue avante na conversa, e diz que teve a pensar melhor e que “ponderou a situação” e que não irá à INDIA!!!!

No momento, ris-te, capaz de soltar valentes gargalhadas com a situação. Depois de perceberes que é bem verdade, após dizer-te: “vai tu… porque não vais sozinho?”, percebes efectivamente que não vai, e nesse momento, a tua expressão facial muda completamente, das gargalhadas para uma cara gélida, branca, estarrecida e sem perceber bem os porquês da atitude, por mais desculpas que dê ou argumentos que utiliza. Ficas assim… nada mais, nada menos que perdido, sem saber o que fazer. Começam a fervilhar em pensamentos. Muitos, e ao mesmo tempo na tentativa de remediar a situação. Começas a ponderar em convidares outras pessoas para irem contigo à tão desejada viagem e percebes que todos os teus amigos já tiraram os dias de férias e que um mês é muito para eles. Percebes que uma “viagem-aventura” como esta requer no mínimo duas pessoas - por mais louca que ela seja - para no caso de roubo ou doença, estar acompanhada, e que por isso não podes ir sozinho. Compreendes ainda que viagens low cost não te devolvem o dinheiro, nem te permitem direccionar a viagem para outra rota, ou encurtar os dias de viagem. Todas as alternativas estão em jogo. E pensas. E continuas a pensar. Os dias demoram a passar porque não consegues fazer mais nada se não pensar. E continuas a não acreditar no que te aconteceu. Sentes uma confiança traída e que, nesse preciso momento, encontraste-te cara-a-cara com a desilusão. Completa! Afirmam-te que te pagam a viagem, pelo sucedido. Mas questionas as expectativas criadas; questionas o tempo gasto em leituras, em dias perdidos na Internet, em telefonemas realizados para a Embaixada, em horas de sono perdidas, o tempo perdido em filas de espera, na realização do planeamento da viagem, na realização dos cartões de crédito, num ano de preparação!!! E isto? Não se contabiliza? Certamente que para além do que é físico, hoje em dia poucas pessoas conseguem perceber que mais importante que esse real – o material, existem valores: a confiança, o compromisso, o respeito, e acima de tudo, a amizade que são, certamente, basilares na construção da integridade humana.

Confrontas-te, então, com a inutilidade, e “amarrado” resta-te apenas ficar um mês por casa! Não acreditas… e recusas a acreditar apenas nessa possibilidade, para quem tem sangue de mochileiro. Olhas para trás e percebes que no que poderias ter feito e não fizeste, no que poderias ter ido e não foste, no que poderias ter comprado mas não compraste, no que poderias ter estado mas não estiveste! Feliz daquele que não espera nada, pois não terá desilusões! Mas com isto uma grande aprendizagem. Cheio. Repleto. A transbordar dela… Alguém quer um pouco desta aprendizagem? Dá-se! É grátis e sem dúvida valiosa!

4.8.08

8. Á Beira do Rio Thames

Foi à beira do Rio Thames que passamos o último dia em Londres. E por incrível que pareça foi, precisamente, também no último dia que vimos o brilhante Big Ben – o relógio pelo qual o mundo rege as suas horas. Saímos do metro e por entre a neblina que caracteriza a cidade de Londres, vejo o Big Bem ali mesmo à minha frente. Olho à volta e pessoas de todas as partes do mundo fotografam-no. Penso por momentos que talvez este possa ser o monumento mais fotografado do mundo. Quem sabe?
Big Ben_Londres
Retiro também da bolsa a minha máquina fotográfica e de várias posições, de vários ângulos, contrastes, luzes, com ou sem pessoas na rua, fotografo-o também. É sem dúvida um monumento brilhante que à beira do Rio Thames, e envolto pela “Casa do Parlamento” e pela “Abadia de Westminster” emerge, simples e exuberante.
Rio Thames

Westminster Abbey

Atravessámos a ponte por várias vezes, correndo ensopados da típica “chuva molha tolos”. É assim Londres: Imprevisível. Sol esplendoroso nos primeiros dias de viagem e chuva e neblina o resto do tempo… Desprovidos de qualquer protecção a não ser os jornais gratuitos que apanhamos em qualquer parte da rua, protegemo-nos como podemos até poder chegar da estação de autocarro que desejamos. Entramos nas lojas descaradamente para não comprar nada. Olhamos lá para fora, a chuva passa, e vislumbramos o nosso autocarro a aproximar-se. Saímos apressados das lojas, ficando as empregas a olhar para nós como se tivéssemos desviado algo. Acenamos com o dedo em riste e dizemos que não o podemos perder, e vamo-nos embora sorridentes, para o autocarro. A semana correu basicamente desta maneira. Uma boa estratégia para quem está desprovido desde tipo de tempo!! Mas esta foi umas das minhas viagens que tenho a certeza que irá ficar marcada pela simplicidade vivida, e ao mesmo tempo, pela alegria vivida. Recordo e vejo apenas alegria. Risadas, aproveitando o máximo dos bons momentos: Percorrer museus meia hora antes de fechar e ver na “National Gallery” e na “Tate Modem” obras como as Van Gogh, Caravaggio, Rembrandt, Leonardo DaVinci, Botticelli, Michelangelo, Velázquez, Monet, Seurat, Cézanne, Pablo Picasso, Alberto Giacometti, Joan Miro, entre outros, em menos de 15 minutos, correndo pelos corredores fora, com o mapa na mão do museu, é obra. Comprar pão, queijo e Iogurtes líquidos numa mercearia 24 horas aberta perto de casa, para tomar o pequeno-almoço na rua (literalmente na rua) e em pé, enquanto um abre o pão, o outro coloca o queijo dentro do pão e distribui pelos elementos do grupo, é vida! Viver é também experiênciar uma noite perdida entre autocarros nocturnos, realizando os mesmos percursos vezes sem conta sem percebermos o porquê, e rir com isso!

Piccadilly Circus

Viver é ficar uma tarde inteira numa esplanada em frente ao Thames e ver o anoitecer. Viver é caminhar sem rumo como fizemos várias vezes e descobrir caminhos jamais percorridos pelos turistas. Viver é perdermo-nos e ter medo de não encontrar os amigos. Viver é comer comidas manhosas apenas para experenciar a cultura local e ficar de caganeira! Viver é subir a estátua da praça central em “Piccadilly Circus” para poder tirar uma fotografia. Viver é prometer voltar ao local anterior para comprar os Souvenirs finais e partir para Lisboa sem nenhum souvenir. Viver é dizer, sem intenção, a um turista que deve apanhar um maranhal de autocarros e metros para determinado local quando o mesmo se encontra atrás de nós. Dos bons momentos desta viagem fazem também parte a tentativa de streaptease realizado no varão do metro da estação de “Liverpool Street”. Do jogo “um limão meio limão” realizado num bar chique de “Soho” e de rirmos estridentemente ao ponto da Susana ficar envergonhada e retirar-se da mesa. Fazem também parte a tentativa frustrada de nos sentarmos nas MARAVILHOSAS cadeiras de pano de “St. James Park” e de sermos expulsos delas por ter de se pagar, sentando-nos por fim, nuns bancos de madeiras DUROS COMO UM RAIO mas deslumbrando o final do dia com um pôr-do-sol fantástico. Relembro ainda termos dado um BALÚRDIO de dinheiro no Museu da Ciência para andarmos num simulador e sairmos todos de lá a correr para a casa de banho devido à má disposição. Enfim… foram momentos bons, únicos e irrepetíveis. São estes que constroem a minha vida, fazendo também dela algo única.

31.5.08

7. Passear por Buckingham Palace e no "Green Park"

Para além de visitarmos o “Science Museum”, “Victoria and Albert Museum”, “National History Museum”, “Tate Modem”, “National Portrait Gallery” decidimos que o dia de hoje seria diferente. O cansaço fez-se sentir das voltas “corridas” em Londres pelo facto de termos estadia apenas por 6 dias, e por isso, quisemos que o dia de hoje tivesse sido tranquilo. Apanhamos os famosos autocarros vermelhos de dois andares, verdadeira instituição londrina, e dirigimo-nos até Buckingham Palace. A Tininha afastastou-se do grupo, preferindo ir até “Trafalgar Square” para comprar o bilhete de teatro que assistiu enquanto experimentávamos o “London Eye”, ao final do dia.
Vista de Londres do "London Eye"
Percorremos o Palácio de Buckingham - a residência oficial da monarquia britânica em Londres. Somado ao facto de ser a residência onde a rainha Isabel II mora, o Palácio de Buckingham é o local de entretenimento real, base de todas as visitas oficiais de chefes de estado ao Reino Unido, e uma grande atracção turística. Tal não é, que os “parolos” fazem fila para poder tirar fotografias com os famosos guardas. Olho para os guardas e estes mantêm-se intactos, inertes quase que diria, mortos. Apenas os olhinhos mexem. Mas não nos importamos de nos inserirmos na categoria parola. Eu e o Renato ajeitamo-nos silenciosamente e aproximamo-nos lateralmente deles. Sorrimos e gritamos. “AGORA SUSANA! TIRA A FOTOGRAFIA”. Rimos desalmadamente da situação parola, dos parolos e da foto parola que tirámos. Mas sem dúvida, que não poderíamos deixar de o fazer. Por ficar ficou a palmadinha nas costas do guarda como forma de agradecimento...
Buckingham Palace e o memorial Victoria

O momento da "Parolice"...

O final da tarde foi passado entre o “Green Park” e o “St. James Park”. Um relvado extenso, um sol luminoso, e um cansaço acumulado. Tudo era perfeito para descansar neste local. Por entre passadas curtas mas convictas, sentamo-nos aqui e ali, descansamos um pouco para logo a seguir descansar mais à frente. Um dia de preguiça que permitiu observar esquilos bem perto de nós, junto aos nossos pés e das nossas mãos. Roedores lindos estes que partilharam connosco este dia de relax total…

Esquilos em "St. James Park"

24.5.08

6. Vomitar na Tower Bridge Não é Para Todos!!!

O dia foi passado de um lado para o outro. Visitamos alguns museus, o “Victoria & Albert Museum” (tesouros, peças históricas, e exposições com objectos antigos de várias civilizações), o “Natural History Museum” (História Natural), “Science Museum” (dedicado a todos os ramos da ciência e tecnologia), bem como percorremos a “Tate Modern”, mesmo antes de ela fechar, vislumbrando quadros de Joan Miró, um dos meus pintores favoritos, Claude Monet, Pablo Picasso, e as famosas estátuas de Alberto Giacometti. O final da tarde e início da noite foi passado junto ao Rio Thames, num Pub manhoso, mas com classe, uns a beber as tradicionais cervejas e outros coca-cola (uma vez que PUB que é PUB é proibida a venda quer de cerveja sem álcool e chá!!!!). Por isso mesmo, a última opção foi mesmo uma coca-cola industrial para os restantes que não bebem…
Percorremos a famosa “Tower Bridge” de noite, após termos saído do PUB manhoso. Penso mesmo que a beleza da Torre é realçada com a presença das luzes nocturnas e quando cai a chuva típica londrina. Não sei se foi pelo momento em si, mas simplesmente sei que gostei de apreciá-la e percorrer toda a sua estrutura, passando para o outro lado do rio.

Sem chapéu de chuva, agarro-me ao que tenho na mão para poder tapar os pingos de chuva que caem sobre nós. Para trás fica a tininha, e não se apressa nas suas passada. Está um pouco enjoada… apenas recordo uma imagem medonha!!! Uma gaja gira a vomitar em cima da ponte, a fazer um barulho ensurdecedor e a cuspir-se toda… olho de soslaio para a Susana e para o Renato… temos vontade de nos rir. Tininha… seria isso, os efeitos nefastos da maldita coca-cola industrial? A noite terminou mais cedo. Apanhamos o "bus" tradicional, e com saco de plástico em riste... lá fomos nós a segurar as angustias da amiga... lol...

15.5.08

5. Susana STOMP em "Sloane Square"

Música, dança e teatro, isto são os STOMP! Um movimento de corpos e objectos, STOMP! São sons e ideias, palpáveis e abstractas somado ao uso de objectos do dia a dia. Na bagagem, o equipamento que transforma em som, no palco, e garante a surpresa do público na plateia é simplesmente sucata, material reciclável e objectos de todo tipo: vassouras, tampas de lata, latões de lixo, tubos de silicone, sacos de plástico, caixas de fósforos, entre outros objectos.
O musical é uma combinação de teatro, dança, comédia e muita percussão. E os sons saem de gestos simples: ou alguém poderia imaginar que o acto de varrer o chão, jogar basquetebol ou acender um isqueiro transformar-se-ia num musical?

Simplesmente ficamos vidrados. Valeu a pena, sem dúvida, gastar algumas libras para poder vislumbrar um espectáculo assim. Saímos do “Ambassadors Theatre” a saltar, a estalar os dedos, e a caminhar em passadas ritmadas. A Susana atrás, e o Renato ao lado, lá fomos nós, ter com a Tininha - que nos esperava em Picadilly - a ritmar com tudo aquilo que podíamos, incorporando em nós o verdadeiro espírito STOMP.

Na tarde seguinte decidimos retornar ao “boteco” do dia anterior para almoçar. Um local pequeno, acolhedor e a preços super económicos, situado mesmo na saída do metro de Sloane Square. Os poucos lugares sentados que existiam no boteco estavam todos ocupados. Algumas pessoas de pé faziam fila para pedirem as suas comidas. Eu e a Susana fomos os primeiros do grupo a sermos servidos: lasanha vegetariana por 4,5 libras!!! Uma verdadeira pechincha!!! Olhamos de soslaio e vislumbramos uma pequeníssima mesa virada para a rua onde cabiam para almoçar, com as pernas encolhidas e os braços imóveis, 2 pessoas! Haviam outros lugares, em pé, mas na rua, ficando o grupo separado por um vidro!

O Boteco em "Sloane Square"

Ocorreu, então, uma situação hilariante mas bem real, mas que muito poucos tiveram a oportunidade de ver. “Susana Stomp em Sloane Square”. Podia ser, decerto, uma peça de teatro. Mas não. Resumiu-se a uma queda espectacular, tão quanto a actuação dos verdadeiros STOMP. Vinha eu por trás e vislumbrei a Susana com o seu prato na mão em direcção à saída para poder ocupar os lugares exteriores. Abre a porta com uma mão, e alheada deste mundo nem observa o letreiro em letras GARRAFAIS:

Vejo apenas uma actuação de STOMP misturada com MATRIX, onde a Susana tralha no chão segurando medrosamente o prato na mão. Fica estatelada de barriga para baixo, atirando de forma heróica a sua lasanha vegetariana para um lugar a salvo e sem partir o prato: para debaixo de um carro! As pessoas, na rua, passam, olham uma rapariga com a cara presa ao chão, e franzem o sobrolho. Olho de dento a situação e rio-me como ninguém. LINDO!!!!

Simulação da Peça "Susana Stomp in Sloane Square"

Alguns desperdícios

12.5.08

4. Visita à Travel BookShop em "Nothing Hill"

Quem nunca viu Julia Roberts, no filme “Nothing Hill”, a entrar pela “Travel Bookshop” a dentro e encontrando-se com Hugh Grant??? È decerto um clássico dos filmes “comédia romântica”. Na viagem a Londres não podemos, também nós, deixar de passar por Nothing Hill e entrar na famosa livraria. Ainda para mais, para quem é adepto de viagens, este é sem dúvida um ponto de interesse muito maior do que, quase, o próprio Big Ben.
É uma livraria pequena, mas organizada. Os livros e guias de viagem estão organizados por países. É uma livraria que encanta e surpreende qualquer fanático de viagens como eu… e diga-se a verdade que fiquei com uma dor no peito por não poder ter trazido todos os livros que gostaria. O motivo? Poupanças reduzidas!

No entanto, regista-se para a fotografia alguns livros essenciais para a viagem de Setembro: Tailândia, Camboja, Laos e Vietname!!!

3. Portolbello Market e a Insensibilidade da Susana

É sábado e resolvemos dar uma volta por Londres, e acabámos, sem saber, por ir a Portobello Road Market. Para quem não conhece, é uma feira, situada em Notting Hill, e um dos mais famosos do mundo, cheio de antiguidades e lojas second-hand. Famoso por ser o local onde foi filmado o filme “Notting Hill”, este colorido e aparentemente interminável mercado, com mais ou menos 1Km de extensão, oferece centenas de lojas no seu percurso que vendem de tudo: desde peças de antiguidade a frutas e vegetais, roupas fantásticas, jóias, utilidades para o lar, quinquilharias, vinil, livros, musica, flores e feira de comida.
As ruas de Portobello Market
As barracas

A comida

Pubs, restaurantes e cafés estão por todas as esquinas. Portobello market acontece aos sábados, e nem queríamos acreditar… sem saber, tivemos uma sorte descomunal… Este lugar atrai milhares de pessoas semanalmente sendo um dos cartões de visita de Londres. Tem tanta gente que eu o Renato acabámos por nos perder das meninas que quiseram espreitar a barraca ao lado e não nos disseram nada. Lembro-me de percorrer rua acima, enquanto o Renato percorreu rua abaixo para as podermos encontrar. Após algum tempo lá as vimos sorridentes na compra de bijutarias e brincos!!!!
Outra característica de Portobello é o facto de podermos assistir a dezenas de shows de artistas de rua. Eu e o Renato paramos para ouvir 2 cegos a tocarem viola. Ficámos algum tempo a escutá-los, enquanto a Susana e a Tininha faziam as suas compras. Com a máquina em riste gravámos parte do espectáculo. Eis que se não quando, aparecem as fidalgas sorridentes Susana e Tininha, comentando a Susana: - “Oh pah… vamos lá Renato!!! A tirar fotos a 2 cegos!!!”… Mal sabe ela que não eram fotos… mas sim uma gravação! E ainda dizem que as mulheres são sensíveis!!! (vejam o video em baixo, para ouvir a Susana a dizer isto. MEDO!!! ...lol)

video

9.5.08

2. House in “Maryland", Near “Stratford"

Chegamos ao aeroporto de “Gatwick” já tarde. Decidimos ir de táxi até “Maryland”, uma hora de caminho, aproximadamente. Habituado aos bons costumes Europeus, ajudo o taxista a colocar as malas na bagageira. Tudo a postos, digo em voz alta que eu vou à frente. Abro a porta do carro e sinto-me confuso!!! Olho para trás e vejo o taxista a sorrir e a comentar: “If you want, you can try”, esboçando um sorriso de orelha a orelha, prestes a sair uma gargalhada de gozo. Afinal, em Londres conduz-se ao contrário! E o volante está à direita! Tinha-se esquecido. Olho para o taxista sorrio-lhe graçolamente, encolho os ombros, e de forma envergonhada dou a volta ao carro e sento-me no lado esquerdo. E digo-vos que é uma sensação estranha, principalmente, quando ultrapassamos a toda a velocidade pela direita. Vai, decerto, contra todos os meus princípios e costumes de bom condutor… mas após algum tempo em Londres, facilmente nos habituamos a novos costumes.
Chegamos a Maryland, que fica a 30 minutos do centro de Londres. Iremos ficar em casa de um amigo, de uma amiga de uma amiga minha!!! (LOL). Nem sabemos bem quem é a pessoa. Apenas sabemos que é um conhecido da Tininha - o Gonçalo - que realizou algumas peças de teatro com ela, em Portugal.
A casa em Maryland

Cumprimentamo-nos. Gente boa. Dá-nos a conhecer que vivem na casa mais 5 pessoas, todas elas portuguesas. Estamos em família, e sentimo-nos assim. Introduz-nos Londres, apesar de alguns de nós já conhecermos a cidade. Percebo que a casa é uma casa sempre em festa, porque é uma casa cheia. Há sempre gente que entra e sai. Que chega do trabalho, que sai para ir ao supermercado 24 horas aberto, ou que traz amigos para beber umas jolas e conviver um pouco. Há sempre gente que está na sala a ver os canais preferidos (“Horror Zone”) ou simplesmente, a jogar uma matraquilhada. Uma das noite chegamos a casa, mais podres de cansaço que sei lá o quê… O dia foi estafante e, estava combinado que no dia seguinte seria o dia em que nos iríamos levantar cedo para podermos visitar partes da cidade do nosso interesse. Prontos para dormir. Não está ninguém em casa. Sentimo-nos uns privilegiados… “AHHH… isto é que vai ser dormir” – pensámos nós! O toque da campinha desperta-nos. Receosos abrimos e vimos que se encontram lá fora amigos do pessoal da casa. Amigos sul-africanos, polacos, ingleses com garrafas na mão, e sacos com bebidas são trazidos para dentro. Dizem-nos que a festa era ali. “Eles vêm cá ter” – dizem-nos. E ali esperamos. Pessoal porreiro que vai metendo conversa uns com os outros. E apercebemo-nos que as poucas horas que já temos para dormir ainda vão ser menores!!! É a loucura… por mais algumas horas conseguimos estar presentes. Jogamos matrecos e divertimo-nos. Mas o sono é mais forte que nós. Eu e a Tininha agarramos no nosso saco cama alojado na sala e arrastando-nos de sonos, pedimos desculpa à Susana e ao Renato, mas esta noite temos de dormir com eles... (ui… foi a loucura! Susana adorei o teu ronco! LOL).

Eu e Renato Vs Helena e Gonçalo... palavras para quê? Deram-nos uma cabazada!!!
Sabemos que Helana - namorada do Gonçalo - está a estudar fotografia em Londres e a trabalhar num restaurante, como a maioria do pessoal lá de casa. Há uns meses atrás teve a oportunidade de vir realizar um dos grandes sonhos! Fazer trabalho voluntário com crianças em África! Esta oportunidade surgiu através de uma organização HOPE for Children (para mais informações acerca da organização - http://www.hope4c.org/) que procura voluntários entre as várias universidades em U.K. Para poder realizar o seu sonho precisa de angariar 2500 libras (3180€, aproximadamente), tenho conseguido angariar até ao momento apenas 800 libras (1025€) através de colectas em estações de metro e de caixas que tem no resaurante onde trabalha. tem sido muito complicado, mas não desiste.

Helena e Gonçalo Ela diz: “Eu sei que a vida não está fácil (muito menos no nosso País á beira mar plantado) mas 5€ poderá fazer a diferença...Se tiverem amigos ou familiares que gostassem de participar ajudem, por favor"

Para que este Blog não tenha apenas a pretensão de expor viagens internas, e para que seja também uma forma de que outros ajudem a construir rostos mais felizes, aqui deixo então o contacto dela, para que possa um dia também partir para longe como um dia também já tive a oportunidade de experenciar o sentido da missão…

Helena Sayanda NIB: 0033 0000 00257050389 05 - Millennium bcp Espero novidades tuas Helena! Boa Viagem... A todos quanto nos acolheram na casa agradecemos a disponibilidade, simpatia e amizades criadas! Até um dia…

1. A Diversidade de Londres Apaixona Qualquer Um...

E uma vez mais decidi partir à descoberta de mais uma realidade que me pudesse fascinar. Parti para Londres com mais três estarolas amigos: A Susana, o Renato e a Tininha. Após dias intensos de trabalho, preparo a minha mochila à última da hora, dirijo-me para o aeroporto e voo… durante 6 dias (25 a 30 de Abril 2008) para fora de mim mesmo.
Eu, Tininha, Susana e Renato_London Eye
Londres é uma cidade única, porque é uma cidade onde o inovador e o ousado caminham na mesma calçada que o tradicional e o imutável, e parecem conviver em paz. Uma caminhada por Londres revela que a moda é aquilo que cada um quer fazer dela. Por lá vêm-se cabelos de todas as cores, roupas de todos os estilos, executivos de cartola e guarda chuva no braço, soldados vestidos como no tempo do Henrique VIII, carruagens reais, indianos, árabes, tribos punk, góticos, e simpáticas velhinhas que se reúnem para tomar o chá das cinco.
A moda é esquecermo-nos do pente na cabeça!!!
Segredos profundos são perdidos em labirintos de culturas e ruas que formam a vasta, densa e intrincada metrópole. Londres pode ser antiga e enraizada no passado, com uma dúzia de museus ou monumentos para cada século de seus 2 mil anos de história, mas também é extremamente moderna e vanguardista. Em nenhum outro lugar a vida global é mais visível. Pessoas de todo o mundo pintam e vazam por lá e, como uma vasta esponja, a capital da Inglaterra as absorve e excreta indiferentemente. O fotógrafo mais famoso da cidade é peruano, a comida mais popular é indiana, a música do momento é o reggae jamaicano. Estrelas de Hollywood pisam os palcos dos seus teatros, e as casas de shows apresentam estrelas líderes de países distantes tão diversos como Senegal e Brasil, e todos atraem grandes públicos.
Em "Camden Town", o estranho é não ser diferente!
Todos em Londres são anónimos fora de seus círculos de contacto; junto a isso, vestem o que querem, fazem o que têm vontade. E Londres nem nota...
Neste cenário, esta última imagem representa a essência da cidade: o equilíbrio (ou disputa) entre tradição e modernidade. De um lado o poste da estação de metro de Westminster, a mais moderna da cidade, e que dá acesso a um mundo subterrâneo de alta tecnologia. E do outro lado a torre do Big Bem, que há 150 anos permanece a marcar as horas da mesma forma, com as mesmas monótonas badaladas e a mesma conhecida melodia. Num lugar com tantos contrastes é impossível ficar indiferente o que acontece à sua volta e não se deixar apaixonar. É justamente por tudo isto que Londres está eleita uma das minhas cidades preferidas.

16.3.08

A Decisão!

Templo Angkor Wat_Camboja
Quem me conhece, sabe bem que anseio por uma boa viagem a outra coisa qualquer... Descobri que a vida só faz sentido se conhecermos o mundo, se o desbravarmos e se o sentirmos verdadeiramente... É iso que levamos dele! E quanto mais irreverente a viagem, mais estimulante para mim.
Está decidido! Irei tirar um mês inteiro de férias para poder, em Setembro, partir pelo mundo fora. O roteiro está traçado: - TAILÂNDIA (Bangcoc e sul) - CAMBOJA (Angkor Wat, Siem Rep e Phnum Pénh) - VIETNAME (Ho Chi Minh, My Tho, Nha Trang, Hoi An, Danang, Hué, Hanoí, My Son) - LAOS (Luagn Prabang e Vientiene) - TAILÂNDIA (norte) Falta apenas que os meses passem rápido! ;)

15.3.08

“Mochileiro” Que se Preze, Gosta de Se Perder dos Demais…

Milão é a maior cidade e a mais chiques de toda a Itália. É uma autêntica cidade repleta de lojas e de consumo. Milano – como a chamam os italianos, é o encontro do progresso com o atraso, mistura tão bem o requinte da moda com elementos do caos urbano. Confuso? Sim, mas principalmente fascinante. Estilo, por sinal, é palavra recorrente em Milão. Nomes como Armani, Prada, Fendi, Gucci e Versace mantém bases de suas grifes na cidade. Por este prisma, que interesse terá esta cidade para um mochileiro? Não terá maior interesse em culturas arcaicas, pouco conhecidas, estranhas. Em culturas de gente multicultural, irreverente e habituada a poucos costumes? Sim. Um verdadeiro mochileiro tem de ter este gosto: de partir para o desconhecido e aprender a sobreviver. Ou melhor, aprender a tirar partido e a viver cada momento como sendo único e irrepetível, e fazer das piores experiências verdadeiras anedotas humorísticas, e histórias marcantes.
A chegada a Milão fez-se com Neve
Visitei Milão no final do ano de 2005, e digo-vos que não é, decerto, a cidade ideal para um mochileiro. Mas surpreende-nos!!! Tem essa capacidade! Ir até Milão é poder espantar-se com a beleza exuberante do “Duomo”, a maior catedral gótica da Itália, e a terceira maior DO MUNDO, depois da Catedral de S. Pedro, no Vaticano, e da Catedral de Sevilha, em Espanha, as quais também já tive a oportunidade de conhecer e de me emocionar. (Há que dizê-lo que chorei depois de ter entrado na catedral de São Pedro. Simplesmente sentei-me, à saída, nas escadas emocionado e verti algumas lágrimas! Coisas de lamechas e choramingas!!!)

Praça Duomo

O Duomo é uma verdadeira obra-prima da arquitectura milanesa. São 92 metros de altura que levaram mais de dois séculos para serem erguidos, a partir de 1386 (sim, o ano é mil TREZENTOS e oitenta e seis). A junção dos estilos gótico, barroco, neoclásssico e neogótico transformam a visita numa aula de arquitectura ao ar livre. A verticalidade do monumento é uma característica marcante deste estilo arquitectónico O telhado é algo inacreditável. Andei por lá a passear, por alguns cantos e recantos apreciando a vista de toda a cidade de Milão, após ter ficado mais de uma hora na fila para entrar!!!

A vista do alto...

A Fila interminável...

Contudo, Milão é também interessante pelo seu Castelo Sforzesco, um local magnífico para poder dar um passeio ao final da tarde.

Huummm… beber um “macchiato” quentinho foi isso que fiz, conjuntamente com a Cláudia, após termos fingido que nos perdemos do resto do grupo. Somos do pior!!!! Na altura estávamos no “Il Salotto di Milano”, a famosa Galeria Vittorio Emanuelle II, um centro comercial chique, chique, chique. Gente e mais gente. Não sei o que se passava naquele dia, talvez por ser um dia próximo da passagem de ano, a galeria estava nem mais nem menos “à pinha”!!! E nada melhor do que um local assim para ser um perfeito pretexto de quem é desorientado… “Ops… perdemo-nos!”. Apreciar uma tarde sem o resto do maranhal de amigos foi, sem dúvida, fenomenal… (hihihi)

Um fim de almoço surreal, foi o que aconteceu. Após um certo cansaço por termo-nos emaranhado nas malhas da cidade, decidimos almoçar numa pequena e pacata pizzaria italiana. Nem mais! Correu tudo na perfeição. Estava tudo delicioso, o ambiente agradável, o gerente simpático, pessoas interessantes à volta. Pagamos o que tínhamos a pagar, e saímos de lá agradavelmente a rir de satisfação. Eis que se não quando, após já termos calcorreado já 3 quarteirões, a Cláudia sente que perdeu a máquina fotográfica.

- “Deixei-a em cima da mesa do restaurante” – grita.

Sem pensar, digo-lhe para ficar onde está, e vou a correr até ao local do almoço. Entro e olho que está um grupo de jovens irreverentes sentados na nossa mesa. Pergunto se viram alguma máquina fotográfica. Todos dizem que não. Acenam com a cabeça. Já agarrados a algumas entradas faço-os levantar para poder ver debaixo da mesa. De cu para ar dou uma volta à mesa. Sinto um silêncio fulcral e todos a olharem para mim.

- “Coitada da Cláudia” – penso enquanto estou debaixo da mesa, - “perdeu a porcaria da máquina comprada em Andorra”.

Saio lá debaixo das mesas, arranjo o cabelo e a roupa, sorrio-lhes amigavelmente e digo num tom de voz baixo - “thanks”. Dirijo-me ao gerente do restaurante e conto-lhe o que se passou.

- “Talvez a máquina esteja enrolada com a toalha da mesa” – questiono.

Após alguns segundos, vejo o gerente com uma toalha na mão, dirigindo-se até mim Suja e cheia de migalhas abre-a, ali mesmo, em frente a todas as pessoas. E nada… Fico eu a pensar:

- “Como hei-de dizer isto à Cláudia? Coitada… vai ficar super triste, pá!” – enquanto caminho para a saída do restaurante. Olho lá para fora, e vejo alguém a acenar do outro lado da rua. É a Cláudia. Está a rir-se. Talvez pense que a tenha encontrado. Mas continua a rir-se de forma estranha. Olho bem para ela e acena-me com uma máquina na mão e grita-me:

- “Estava na mochila! Esqueci-me que a tinha colocado lá”. Nem quis acreditar nas figuras tristes que andei a fazer com o cu para o ar e sacudir toalhas sujas. Olho para a Cláudia de soslaio. Estou zangado… mas desmancho-me também a rir.