20.10.09

A Tempestade

Estou eu em plenos mergulhos, quando começa a chover torrencialmente. Sem grandes preocupações ali fico por mais algum tempo, até me lembrar da minha roupa que ficou à berma do água. Saio da água. agarro na roupa já molhada, visto-a sem me secar. A chuva cai mais forte. Corro para perto da Vanda e do Nuno que já estão abrigados debaixo de uma árvore. E ali ficámos nós, em pé debaixo da árvore, a sentir as pingas grossas de água a cairem nas cabeças. Tiramos as tolhas de dentro da mala e colocamo-las por cima de nós.

Depois de muita chuva, pusémo-nos a caminho. Subimo o desfiladeiro e percorremos mais 4 horas de regresso até ao nosso alojamento. Sim.. Foi obra! Mas mereceu termos feito 8 HORAS DE CAMINHO para poder sentir, nem que seja, a tempestade marroquina!!!!

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O Merecido Mergulho

Fizémos 4 horas de caminho. Tive de suportar uma temperatura de 43º ao longo da viagem. Não pude adormecer pelo caminho porque estava de diarreia e precisava estar desperto para qualquer circunstância inevitável. Fiquei gélido ao pensar na possibilidade de as cascatas estarem secas, no Verão. Fiquei enérgico ao vê-las.
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Pelo que passei, bem merecia usufruir à grande desta cascata:
mergulhos de água morna ao final do dia, e massagem nos pés da lama barenta que sustenta o fundo da queda de água. Poderia pedir mais? Não!
Simplesmente MUITO, mas MUITO bom!

19.10.09

Cascatas de Ouzoud: Secas?

Estando em Marraquexe, partimos, depois de almoço, em direcção às Cascatas d'Ouzoud. Segundo o mapa das estradas, parecia-nos, relativamente perto. Seguir pela auto-estrada e depois entrar numa estrada local em direcção às Cascatas. Tudo normal (parecia-nos). Até ao ponto de percebermos que nos tinhamos enganado na viragem para a estrada local.
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Sem medos ou qualquer tipo de receios, continuámos pela estrada fora, mas agora sempre com os olhos postos ao mapa. Afinal, um percurso que, à partida nos parecia relativamente perto, fez-se, nada mais nada menos, em 4 horas!!!! QUATRO!!!!
Com um calor que abrasava qualquer um assim que tentávamos desligar o ar condicionado do carro ou abrir uma simples janela, percorremos estradas a fora com uma temperatura de 43º. Recordo-me de olhar pela janela e a paisagem, pelo caminho, encontrava-se sempre inóspita. Tudo à nossa volta parecia desértico, sem vida, seco.
A questão agora centrava-se, não na dificuldade de encontar as cascatas, mas sim, na possibilidade de elas existirem em pleno verão quente! Será que estão secas??? As probabilidades, afinal, eram imensas...
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Recorro ao guia turístico trazido no fundo da mala que nos indica uma fotografia das cascatas com a seguinte indicação: "As Cascatas d'Ouzoud na Primavera". PRIMAVERA!!!! Li eu bem!!! Primavera significa que não é Verão... Logo, já quase passadas 4 horas de viagem nem queríamos acreditar. Afinal... essa probabilidade de elas esterem secas, não era remota!
Desfiladeiro Wadi el-Abid
À medida que nos aproximavamos do local, a temperatura desceu drasticamente até ao 29º. Estacionámos o carro, demos a tradional moeda aos arrumadores de Marrocos, negámos a possibilidade de guia, e fizémos o resto do percurso a pé. As Cascatas d'Ouzoud são um verdadeiro micro-clima. Ao contrário do encontrado pelo caminho, aqui existe vegetação. Tudo é verde constastando com o vermelho do chão. O tempo está ameno. Não está tanto calor. E por isso... seria lógico encontrarmos uma réstia de água ainda a cair!!! E pusémo-nos a caminho atrás do som de uma simples cascata.
Quando a vimos ali de cima, mesmo à nossa frente, nem queriamos acreditar naquilo a que observávamos. Em pleno Verão a cascata estava no seu esplendor... Parámos de falar entre nós. Apenas sorriamos uns para os outros. E eu comentava: "Faria novamente o mesmo percurso de 4 horas para poder ver isto"... Lindo, lindo, Lindo...
Este é, para mim, um dos cenários mais espetaculares de Marrocos. A queda de água é completamente impressionante. A sua força é ensurdecedora, vibrante ao ponto de nos extasiarmos, ao vermos a água a cair no desfiladeiro do Wadi el-Abid, 100 m abaixo. Quisémos conhecê-la. Ir lá abaixo. Custasse o que custasse... Demos a volta, entrando pelo lado esquedo. Encontrámos umas escadas que dão acesso à parte baixa do desfiladeiro. E por elas encontrámos alguns campistas rastasfári e completamente Freaks a viverem aqui, no meio do nada, por alguns dias... E à medida que desco sou completamente invadido por um estado de euforia, pela majestosa sucessão de água que vai caindo. Ando cada vez mais depressa para alcançar a parte baixa. Noto que em cima das figueiras e alfarrobas que crescem junto ao caminho estão apinhadas de macacos de pelagem beje.
Todos atingimos a parte do desfiladeiro. Não continuámos. Ficámos a abservar por mais uns momentos. E apenas eu e o Sérgio atrevemo-nos a passar pela plataforma improvisada de paus e plásticos que dão acesso à baía da cascata para podermos desfrutar de um belo banho... Apesar de arriscado (o atravessar da plataforma), o banho era mais do que merecido! E se era...

13.10.09

Marraquexe: Cidade Vermelha

Vamos embora de Marraquexe com a sensação de que ela é, realmente, exótica, atraente e encantadora. Ela fala por si, muito mais do que qualquer guia.
As ruas com a sua cor rosa dão uma personalidade única à cidade. As suas ruas estreitas, as muralhas, os tapetes, as paredes, dão vida a Marraquexe.
E é com este sentimento que deixo algumas fotografias para perceberem do que falo...
Os tapetes
Etrada para os Souks da Medina
Especiarias
Paredes Vermelhas
Movimento das Ruas

12.10.09

Barrados na Mesquita Koutoubia

Perto da Praça Jemaa el-Fna encontra-se a Famosa Mesquita Koutoubia - uma das maiores mesquitas do mundo muçulmano ocidental!!! Ela é também considerada um ex-libris de Marraquexe.
O minarete, é uma verdadeira obra prima da arquitectura islâmica, que mais tarde serviu de modelo à Giralda de Sevilha (ver etiquetas sobre Sevilha). Com 70m de altura, o minarete é a construção mais alta da cidade de Marraquexe e um dos marcos visíveis a muitos quilómetros.
No entanto, o engraçado é saber que a mesquita original foi substituída por outra, isto porque, uma das paredes anteriores da mesquita não estava correctamente orientada na direcção de Meca... Quisémos conhece esta mesquita. Entrar nela. Mas não pudémos. Fomos barrados. A entrada na mesquita (e na maior parte delas) são exclusivas a muçulmanos... Só eles podem admirar a vista do topo do edifício....
Restou-nos ficar em frente a ela, sentados num banco a contemplá-la. Lá bonita é...

9.10.09

Estranha Política Marroquina

A campanha política marroquina é feita através de murais que são, livremente, pintados nas paredes, por toda a cidade. Cada partido político tem um número e que poderá dentro dele afixar o seu símbolo ou informações.
Alguém que compreenda isto????

Tradutor Precisa-se

A Chamada Para a Oração

Os muçulmanos têm por hábito rezar 5 vezes ao dia, virados para meca. Há mesquitas em quase todas as ruas e há, também, megafones pela cidade que fazem chamar as pessoas para a oração, mesmo às 4h30 da manhã, como eu ouvi enquanto tentava dormir. Este video é um exemplo vivo de como a oração é um momento central na vida destas pessoas. Depois de se alimentarem após o pôr do sol, correm em direcção à mesquita quando são chamadas.

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Alimento-me Com o Menu Ramadão

Tinha iniciado à poucos dias o período de Ramadão.
Significa, portanto, que todo e qualquer muçulmano é obrigado a realizar jejum durante 30 dias seguidos, podendo apenas comer, beber água, fumar e ter sexo no período antes do sol nascer e depois do sol se pôr.
O Menu Ramadão
Enquando passeávamos durante a tarde pela cidade de Marraquexe, observávamos nos poucos restaurantes abertos, e os que existiam estavam em limpeza. Ninguém come durante o dia (excepcionalmente as crianças até aos 10 anos de idade). Tudo parecia estar desactivado. Há menos movimento nas ruas. Para comer, levámos algumas sandes e sumos na mochila.
Mesmo antes de o sol se pôr, por volta das 19h30/20h, começamos a obvervar um movimento estranho nas ruas de Marraquexe. A temperatura do dia baixa e as pessoas começam a sair das suas casas. Retorna-se ao movimento habitual. Gente e mais gente. E logo assim que o sol se põe, os marroquinos atiram-se à comida.
Por todo o lado à restuarantes e o cheiro a comida, nas ruas, é intenso.
Na Praça Jemaa el-Fna colocam-se bancas de comidas. Mais de 150 restaurante individuais de comerciantes (transportados por carroças) fazem ali o seu negócio. Há uma actividade nocturna indiscritível. São motas, carros, bicicletas, carrinhos de mão, e pessoas e mais pessoas.
Aproveitámos para jantar. Afinal, estavamos esganados de fome. Sentámo-nos num dos restaurantes situado numa das ruas principais que vai desenbocar à Praça. O conteúdo alimentar??? Bem... depois de muito escolher, mandámos vir o "Menu Ramadão": Sopa marroquina, tâmaras, crepes, um ovo cozido e um sumo de laranja natural. Tudo vegetariano! aaahhhhhh.... A maior parte dos marroquinos come este menu, uma vez que é rico para poder restabelecer as forças de um dia sem comer.
Ao longe conseguimos ver, perfeitamente, o fumo das comidas a serem realizadas na hora. Esta é a Praça Jemaa el-Fna transformada à noite.

8.10.09

Praça Jemaa el-Fna

Por toda a cidade de Marraquexe há movimento. Há pessoas. Muitas. Todas elas andam apressadas de um lado para o outro. Há movimento nos carros, motas e bicicletas que passam. Marraquexe está cheia de pessoas e cada vez mais cheia de turistas.
Apesar da imensidão de gente, é impossível deixar de passar pela conhecida Praça Jemaa el-Fna. Ela é o centro de Marraquexe e o ex-libris da cidade. Todas as direcções indicam a praça que é considerada pela UNESCO como sendo Património da Humanidade.
O seu nome "Jemaa el-Fna" traduzido significa "Assembleia dos Mortos", isto porque, até ao séx. XIX, todos os criminosos a quem eram ditados a sentença de morte, eram decapitados aquie nesta gigantesca praça. Por vezes, eram executadas até 45 pessoas num só dia, e as suas cabeças eram conservadas e expostas nos portões da cidade.
Embora seja um espaço irregular sem qualquer conjunto harmonioso de edifícios, interessa-nos porque ela é, por si só, uma amostra tradicional de Marrocos. Também aqui há movimento de turistas e comerciantes.
Por todo o lado há bancas a venderem de tudo um pouco. A praça está transformada num grande mercado a céu aberto, onde turistas e pessoas locais se encontram. Dentro dela há acessos a ruas que nos levam a conhecer os souks da medina.
Mas na praça facilmente encontramos uma diversidade de actividades. Há os famosos vendedores de sumos de laranja natural. Há os encantadores de serpentes. Há artistas de rua que atraem o público com (tristemente) macacos-bailarinos... Há também videntes, bailarinos, contadores de histórias, aguadeiros e malabaristas que fazem desta praça, outrora com um passado terrível, uma praça sempre em festa.
Encantadores de Serpentes
Macacos Bailarinos
Aguadeiros - Tradicionais Vendendores de Água
Passeio de Dromedário
Músicos
Jemaa el-Fna é uma mistura de sons, cheiros e sabores. É mergulhar, profundamente, na cultura marroquina com tudo o que isso possa significar. Pisei-a. Estive lá. Conheci-a. E com isso vim mais rico de experiências, de um lugar mágico e único que muitos passam, mas que poucos são capazes de sentir a verdadeira essência marroquina.

Riad 34: Alojamento Numa Casa Familiar

À chegada a Marraquexe sabíamos, apenas, que o nosso alojamento estava situado dentro das muralhas, próximo ao Palácio Bahia. Não tinhamos mais qualquer indicação acrescida. Apenas estas. Parámos o carro por algumas vezes para perguntar.
Encontrámos o Palácio Bahia, mas tendo em conta que não podiamos entrar com o carro para lá das muralhas, tivémos de o estacionar, no único lugar existente, em frente à muralha que dá acesso ao seu interior e, necessáriamente, ao nosso alojamento. Lembro que estava um calor insuportável à chegada. Escorriam-me gotas de suor pela cara, sempre sem parar. Com a parte interna do braço limpava a cara vezes sem conta até o mesmo ficar ensopado. A parte de trás da T-shirt e parte interna dos calções estavam, também, molhados de tanto calor.
Nesse único lugar para estacionar o carro existiam vários arrumadores. Pela inexistência de parquimetros, cada um faz o seu preço, e tivémos de, obrigatóriamente, desembolsar 25 € pela estadia de 3 dias do carro na rua, uma vez que não havia outro local próximo para deixar o carro. Um verdadeiro roubo a que tivémos de nos sujeitar!!!!
A forma habitual de os arrumadores ganharem mais dinheiro num estacionamento de pequena dimensão, assusta qualquer europeu... Têm por hábito pedir aos donos dos carros para deixarem o carro desengatado (embora trancado). E assim fizémos nós. Mas qual o motivo? O motivo centra-se na possibilidade de poderem andar com o nosso carro, colocando outros carros à frente ou atrás do nosso. Assim, sempre que queremos sair com o carro têm de retirar os outros que estão atrás... A verdadeira confusão...
Após o malabarismo de estacionamento, cada um de nós agarrou nas suas mochilas em direcção ao alojamento, tendo sido necessário os serviços de um guia local para o encontrarmos entre ruas estreitas e com cheiro a esgoto.
Ficámos instalados na Riad 34. Encontramos este alojamento na internet por indicações de outros portugueses que já aqui estiveram. A entrada não transparece quão agradável é esta guest house. Toda pintada com cores fortes, e uma delicadeza na decoração com efeites tipicamente marroquinos, deixou-nos super felizes. Esta é, sem dúvida, uma casa familiar. Há, apenas 5 quartos. As portas e janela estão todas abertas. Há uma confiança absoluta nas pessoas que gerem a Riad. À chegada é-nos servido o tradicional chá de menta e, enquanto o bebemos, conversamos e é-nos explicada todas as condições.
O pequeno almoço é servido no centro da casa, conjuntamente com os outros hóspedes. Leite, chá, sumo de laranja, torradas e panquecas marroquinas fazem parte do pequeno almoço, servido sempre em tajines de várias cores, os condimentos de manteiga ou geleia.
Oa quartos são de médias dimensões com casa de banho incluída. A decoração é agradável, aprimorando pelos pormenores.
O interessante da Riad 34 é a possibilidade de passarmos alguns momentos antes de deitar, no terraço, deitados nas "camas-pufs", aproveitando o calor da noite, observando as estrelas e comentando o dia e as situações hilariantes passadas.
Sem dúvida que recomendo esta estadia a qualquer um. Quem vá a Marraquexe, aproveite e fique na Riad 34. Família, ambiente, tranquilidade, descrição e bom gosto são as palavras para a descrever. Valeu apena! Tenho saudades!

Chegada a Marraquexe pela "La Palmeraire"

Reporto-me a 22 de Agosto de 2009.
Pela manhã saímos de Rabat em direcção a outra cidade destino: Marraquexe - a 3ª maior cidade depois de Casablanca e de Rabat.
O caminho fez-se com imenso calor, e à medida que nos aproximava-mos do interior marroquino, em direcção a Marraquexe, o termómetro aumentava gradualmente. Chegamos à cidade destino com mais de 4oº.

As temperaturas quentes do interior marroquino

A chegada a Marraquexe fez-se pela parte norte. Aqui encontra-se um passeio de 22,5 kms com mais de 150 000 árvores!!!! É algo lindíssimo de ser visto, observado e admirado e que nos deixou completamente extasiados a olhar, quilómetro após quilómetro, para esta imensidão de palmeiras, campos, jardins, numa extensão total de área de cerca de 120 km2.
Segundo a lenda, depois de um sultão do séc. XI comer tâmaras trazidas do Sara, o mesmo lançou os caroços à volta deste espaço. Estes caroços terão germinado dando origem à chamada La Palmeraie em Marraquexe...
Muitas tâmaras deverá ter comido este sultão, e que grande caganeira deverá ter dito durante meses a fio! Não... Não dá para imaginar!