7.2.08

Yôga na Neve: Serra da Estrela Respirou Alegria

Vindos de várias partes de Portugal, Argentina e França para a participação neste evento único: o IV Yôga na Neve, com a participação de mais de 80 Yôgins pertencentes à Universidade Internacional de Yôga, agendado para os dias 1, 2 e 3 de Fevereiro de 2008, nos chalés da Montanha na Serra da Estrela. Apesar da falta de neve no início do encontro, o frio esteve sempre presente. Os agasalhos, luvas, gorros e cachecóis fizeram parte do vestuário de todos os participantes.
Eu, a Joana e o Paulo chegámos antes de todos os participantes por pertencermos à equipa organizadora. Depois de tudo apostos, fomos para o chalé. Acendemos a lareira (com papel higiénico na falta das acendalhas… uma grande destreza, digo-vos!!!), abrimos o sofá, mantas em cima de nós e almofadas para cada um, e ali ficamos, na ronha, até à abertura do evento. Simplesmente a descansar. Sabíamos que este seria um dos poucos momentos de descanso, e por isso, aproveitámo-lo ao máximo.
E porque não aproveitar para bebermos, primeiramente, um chá, para depois podermos então descansar? Sim… levantámo-nos, e fomos preparar o chá. Mas surgiu-nos a questão: “não havendo passador, como beberíamos o chá?” – “com uma meia” – respondi eu, numa tentativa de brincar com o pessoal. – “com uma meia? Boa!” – respondeu a Joana! “Eu tenho ali uma minha. Vou buscá-la”. Fiquei estupefacto a olhar para o Paulo. Disse-o na mais pura minha ingenuidade, e a Joana aceitou a proposta. Com uma meia na mão, rasgou-a e colocou-a à volta do bule, fazendo de passador. Foi, certamente, um momento único de risada geral. “chá de unha”, uma proposta para o nome…
Logo após a distribuição de todos pelos vários chalés, iniciou-se, então, o encontro com a realização do Ashtánga Sádhana (prática completa de Yôga), seguindo-se uma prática de alongamento e flexibilidade. Permanecer mais de 15 minutos na posição de upavista konásana? As pernas afastadas e o peito no chão por entre as pernas??? Para muitos uma loucura, mas a maioria aguentou… Após o fim desta prática de grande flexibilidade, estávamos, sem dúvida, preparados. O início estava dado! Grande professora argentina Anahí Flores!!!
Realizou-se, assim, a abertura oficial do evento com todos os ministrantes e apresentação da equipa organizadora, e do programa: práticas de Yôga, meditação, relaxamento, nyása, purificação das emoções, coreografias, pránáyámas, pratyáhára, e festa… muita festa…
Os Ministrantes

Parte da Equipa Organizadora... MEDO!!!! lol

Reunimo-nos, à noite, para realizar "Sat-Sanga". Sentados em samanásana (pernas cruzadas), repercutindo o "pronam mudrá" (palmas das mãos juntas frente ao peito), vocalizámos, por mais de 2 horas seguidas mantras. A alegria era evidente na expressão das pessoas. Grandes sorrisos e a expressão de muita felicidade ali presente. E o porquê desta felicidade? Questiono. Talvez seja o facto de sentirem identificados com outros que ali estão, também, presentes. Que há outros iguais a nós que pensam e sentem da mesma forma; que querem o mesmo para as suas vida; que têm objectivos idênticos; que sabem o que querem; que apostam na vida com qualidade, no auto-conhecimento, no desenvolvimento das capacidades de auto-superação, entrega, doação. Um yôgin é isto mesmo: é alguém que busca o melhor para si e para os outros; que tenta aprimora-se dia a pós dia e que se concentra a fim de obter aquilo que deseja.
O resto da festa foi feita nos chalés. Juntámo-nos, alguns de nós, em chalés alheios para estarmos simplesmente juntos. Eu, a Joana e o Paulo patrocinámos um chai para todos os que ali se encontravam, e ali permanecemos na alegre cavaqueira até tarde.
O programa de práticas para o primeiro dia havia terminado muito para além do anunciado, e a dormida muito para além das expectativas de cada um. Mas não foi por essa razão que o segundo dia começou mais tarde. O dia começou bem cedo, logo às 08h30, com práticas de yôga avançadas, a abrir o apetite para o pequeno-almoço.
Durante a tarde, por entre as práticas, e aproveitando o pouco tempo livre, fomos até à Torre, onde aí nos pudemos deleitar com a neve. Existia uma imensidão de neve. Estava frio. Agasalhamo-nos. Brincámos e, conseguimos realizar guerras de bolas de neve. BBBBRRRRR… há que dar a mão à palmatória… levei com duas na cara!!!! Enquanto ali tivemos aproveitámos o tempo ao máximo, podendo desfrutar da energia que era transmitida por este local.
A noite? Carnavalesca!!! Primeiro com as coreografias de SwáSthya Yôga da Instrutora Sara Garcia e Sónia Saraiva, e posteriormente, a celebração do Carnaval. “Apita o comboio”… o êxito no hotel. Há que dizer que os recepcionistas ficaram com um pouco de inveja. Mascarado de Wally e com música baixa para não acordarmos os residentes, tivemos de transportar a festança para os chalés de cada um.
Sim… a festança foi sem dúvida no nosso chalé. Que diga a Joana que teve a destreza de comer, em menos de nada, um POTEZORRO de “Nutela”!!! A risada tornava-se contagiante e, por isso, ninguém quis perder pitada do divertimento. Ficámos, por mais uma vez, até tarde, no aconchego e conforto da lareira, a partilhar sentimentos. Um dos significados do Yôga é união, e nada melhor do que estarmos juntos para aprendermos com os outros a crescer interiormente. O check-out fez-se no dia seguinte, após o terceiro dia de práticas. Algo marcante, sem dúvida, pela intensidade do evento e pela partilha comum de vivências. Diz-se que o yôgin é uma pessoa com energia e vitalidade muito acima da média. Este foi mais um exemplo de como, realmente, isso é verdade. A alegria, sinceridade, energia, boa disposição reinou mais uma vez na Serra da Estrela. Em nós ficam marcadas “tatuagens” e, na memória, lembranças de tempos felizes… A serra espera-nos para um próximo evento...

4 comentários:

Carla disse...

Grande Nelson!

Obrigada pela visita, aparece sempre!
É bom saber que nos encontramos por aqui também.

Beijo enorme

Anônimo disse...

Amigo... Nem acredito que te vejo aqui nestas andanças!!!
Ganda maluco que tu és...mas eu adoro-te na mesma amigão!!!
Mil beijocas com mtas saudades

Marta Morota

Carlos Leo disse...

eheheh...

Foi eu que te acertei com as bolas de neve em cheio na cara, lol mas de facto divertimo-nos à brava e de emoções cheias.
Obrigado pelo relato que me fez reviver de novo este maravilhoso evento :)

Abraço

Os olhos da alma... disse...

Meu primo mais lindo, tenho tanto orgulho em ti...sou tão feliz quando és feliz, viver e voltar a viver magias contigo, a vida espera-nos!
Abraço...
Rita