13.1.08

VIII. - Em Montreux Comi os Piores Crepes de Sempre

Montreux é uma comuna da Suíça, no cantão Vaud. Situa-se para lá de Lausanne. Os amigos polacos com quem diariamente contactávamos nos grupos de reflexão, em “Renens”, recomendaram-nos. E por isso partimos, com tempo, em busca de novos fascínios. Mais uma vez apanhámos o comboio por mais algumas horas, deixando-nos vislumbrar pela paisagem que corria à medida que o comboio andava.
Montreux é, simplesmente, belo. Creio que já percorri vários locais, mas nenhum como este. Montreux têm algo que fascina, que nos detêm e que nos impressiona. Situado na costa, circundada pelo “Lac Léman”, percorremo-la a pé até ao Castelo “Chillon”. Mais de hora e meia a caminhar e desfrutando de uma vista magnífica: As montanhas cobertas de neve, um lago azul que se confunde com as próprias montanhas. Pássaros que esvoaçam rente à aguam. As cores. Tudo. A sua serenidade é apoteótica.
Dou por mim, afastado do grupo a apreciar cada momento da vista. Não quero esquecer, jamais, esta parte do paraíso. Encosto-me a uma escarpa que dá acesso ao lago e tento fotografar a sua beleza. Olho para o visor da máquina e sinto que não capta a totalidade do que vejo. Tento novamente e olho mais uma vez. Estou certo que nenhuma fotografia consegue captar o que está à minha frente. É uma beleza única que transcende qualquer coisa. Sinto-me espectador de uma criação maravilhosa. Sinto-me também único.

As pilhas da máquina acabam-se mais uma vez. Troco as pilhas apressadamente. Volto a tirar outra, e outra, e mais outra fotografia. Não consigo parar e separo-me, consideravelmente, da Cláudia e do Filipe. Este, é um momento meu. Só meu, onde pude fechar os olhos e amar-me, oferecer-me esta paisagem e este espaço para mim próprio. Uma oferta especial recarregador de baterias, de energia, força e poder. Afinal, viajar é, também isto. Cada vez que viajo amo-me um pouco mais porque desfruto de cada pequeno momento.

Estátua do Freddie Mercury_Montreux
Consigo ver, lá bem ao fundo o Castelo: a nossa meta de chegada. Pelo caminho reencontro a Cláudia e o Filipe, e o reencontro faz-se também com um amigo Bósnio que eu e a Cláudia conhecemos no Encontro de Milão, em 2005. Estávamos perto da estátua do famoso “Freddie Mercury” junto à costa, quando alguém chama “Cláudia Marques”. Olhamos e tentamos perceber de onde conhecemos a cara. Ficamos um pouco em silêncio até ele pronunciar “Milão”. Percebemos então e reconhecemo-nos. Abraçámo-nos e aproveitámos para tirar a “bela da foto” de recordação junto da estátua. “O cabelo dele está muito mais pequeno” – comento com a Cláudia. “Foi por essa razão que não o reconhecemos imediatamente” – acrescento, e desmanchamo-nos a rir com toda a situação.
Mas o que faria Freddie Mercury aqui neste vilarejo perdido no meio do nada?
Segundo informações, sabe-se que em 1978 os Queen compraram o estúdio do casino de Montreux para poder gravar parte dos seus álbuns, e por isso, em 1984 e em 1986 foram convidados para actuarem no festival Golden Rose. Montreux foi também objecto do single “Winter's Tale” no album “Made in Heaven”, uma das últimas canções de Freddie Mercury antes da sua morte a 24 Novembro de 1991.
Despedimo-nos do amigo Bósnio junto da estátua e continuamos a respectiva caminhada, com direcção ao Castelo. No caminho fomos surpreendidos com a tonta da Cláudia a fazer palhaçadas junto a um Cartaz que dizia “La Chunga”. Evidentemente, que a risada foi geral… para nós é muito mais que uma chunga comum. É uma “chunga chique”, uma amiga que todos gostariam de ter. É alguém que nos ensina como estrangular ratos em menos de nada. (É uma quase Doutorada em Biologia). É alguém que faz com gosto a nossa comida preferida, e vegetariana! É alguém que nos ouve e escuta. É alguém que tem os mesmos objectivos de vida que nós. É alguém que tem um sorriso contagiante e uma presença “alto astral”. Enfim… é a minha amiga “chunga”…

Chegámos por fim ao Castelo, algo de uma beleza encantadora. Pela sua imponência isolado no meio de uma paisagem cega decidimos ficar sentados a apreciar a sua beleza, para além, também, de estarmos a precisar de descansar depois de vários quilómetros percorridos. Aproveitámos para comprar alguns “souvenir’s” e enviar alguns postais na caixa do correio, junto ao castelo para a família e amigos.

Mas perante tal imensidão porque não aproveitar também para meditar um pouco? Pensei eu. E assim o fiz. Tentei por momentos entrar em estado de Yôga. Sentir a energia da terra mãe, da pura natureza, do mundo a que pertenço. E tudo aquilo que experienciei deu-me, certamente, mais vida. Uma vivência pessoal única num local também único.
Retornámos ao centro de Montreux, de camioneta, sem pagar a sua entrada. Entrámos pelas traseiras e sentámo-nos sem dar-mos muito nas vistas enquanto elevávamos o queixo e a nossa visão para o alto, ao mesmo tempo que assobiávamos. Após a chegada procurámos um local para podermos comer qualquer coisa num almoço tardio. Como sobremesa, apetecia-nos algo mais de forma a podermo-nos alambazar ao máximo e regalarmos com a barriga cheia!!! A escolha? Um verdadeiro crepe de chocolate!!! Corremos até ao balcão, onde escolhemos os tamanhos. Sentámo-nos à espera que estivesse pronto. Enquanto tal, sentia que nos espumávamos a pensar na demora de tal loucura! Já podíamos sentir o seu cheiro e quase que podíamos saborear o crepe. De repente “voilá”… servem-nos um prato enorme, e sem qualquer tipo de puder agarramos desenfreadamente nos nossos talheres até esfarripar o crepe. Na primeira garfada, saboreamo-lo, e com os olhos fechados tentamos degustá-lo. Abro um olho apenas incrédulo e vejo também a cara da Cláudia. Um pouco assustado questiono-a sobre o crepe de chocolate supostamente maravilhoso. Com ar enjoado, levanta as duas sobrancelhas e comenta imperativamente “Qué isto? C’ôrror!!!”
Definitivamente sentíamos o mesmo: um sabor estranho, dessalgado, difícil de degustar e até mesmo de engolir. Baixamos ao mesmo tempo os garfos até ao prato, e quase que por instinto levámos o guardanapo à boca. A desilusão era real. O crepe sabia a podre!!! Talvez possa mesmo dizer que este foi, sem dúvida, o pior crepe da minha vida! O crepe mais caro da minha vida! O crepe mais desejado da minha vida! E ali ficámos nós, o resto da tarde, a comentar acerca da maravilha que são os crepes que, regularmente compramos marca “Modelo” e “Continente”, onde por 3 euros e pouco podemos emborcar 6 crepes pré-feitos, talvez, com um dos melhores sabores já experimentados de sempre!

2 comentários:

Paula disse...

bem dizia eu..honesto..e o menino entra na camioneta sem pagar..pronto um pecado que foi redimido com o mau crepe:): ahahahaha

também adoro os crepes de chocolate do "modelo.". Uns segundos no microondas e já está...manha mnha

bjs
paulinha

Paula disse...

nelson,
após ler os vários episódios da tua linda viagem, adorei "conhecer" Genebra através de ti(Olhar,sorrisos, sentimentos...)
Uma das minhas fotos preferidas : Tu em frente ao castelo em Lousanne, numa posição de equilibrio fantástica. continua...sou a tua leitora assidua.
bjs
Paula