13.1.08

VI. - Genebra: Uma Cidade Multicultural e Ecuménica

Partimos à descoberta de Genebra. Um dos primeiros locais a visitar foi, sem dúvida, o Edifício das Nações Unidas. Construído entre 1929 e 1933, o Palácio das Nações tornou-se a sede das Nações Unidas em 1946. Actualmente, é o segundo mais importante centro das nações Unidas a seguir a Nova Iorque.
Palácio das Nações_Genebra
Á frente do Palácio das Nações encontra-se um monumento de valor artístico tal, que ninguém se torna indiferente á sua presença: “Broken Chair”, é o seu nome, criado por Daniel Berset. Como o nome indica é uma cadeira partida. Uma cadeira gigante com uma perna partida, simbolizando as vítimas das minas em África. Á primeira vista, sentimos que é mais uma das criações de arte contemporânea. Só quando nos aproximamos e lemos as legendas compreendemos o seu significado e simbolismo. Impressionante é mesmo o seu sentido imponente, grande e vistoso. Não é uma cadeira pequena partida. É uma cadeira, mas gigante; porque muitos foram também as vítimas de tal brutalidade. E ali está presente, à frente do palácio, para que todos possam ver e ninguém ficar indiferente.
"Broken Chair"_Genebra
Seguimos caminho. Dali partimos para o centro da cidade, e aos poucos e poucos percebemos que Genebra não é uma cidade de encanto. Não há nada que a caracterize de tão especial. Não há uma Torre Eiffel, um mosteiro dos Jerónimos, uma catedral imponente ou qualquer outro monumento único. Genebra é caracterizada pelo maior jacto de água do mundo, conseguindo atingir os 140 metros de altura. Algo interessante, de facto. Mas nada capaz de nos tirar o fôlego ou de nos deixar de boca aberta, em silêncio, simplesmente a apreciar tal beleza. Não. Genebra é diferente. É também caracterizada seu relógio feito de flores, que a cada estação são mudadas e transformado em novo relógio. Bonito de se ver. Mas mais uma vez, nada de especial.

Jacto de Água_Lac Léman

Então o que terá Genebra de tão peculiar? Sem dúvida, a sua beleza reside na história. A história da cidade está associada à história da Reforma Protestante no espaço cultural francófono. Genebra ganhou o cognome de "Roma protestante" ou "a cidade de Calvino". A partir de 1536, a história da cidade de Genebra passa a estar associada com a história da Reforma Protestante e não se associar ao catolicismo. O líder protestante francês João Calvino instalou-se em Genebra pela primeira vez em 1536. A partir dessa data, Genebra passou a ser local de refúgio dos protestantes europeus. Genebra é um "posto avançado do protestantismo" numa paragem de católicos. De facto, a França permaneceu católica, muito pela acção combativa dos católicos. Genebra, juntamente com Neucâtel e Waadtland são as poucas cidades ou regiões língua francesa onde a Reforma Prostestante teve assento, com reformadores como "Guilaume Farel", "Théodore de Bèze" e sobretudo o próprio “Calvino”.

Partimos então a essa descoberta, rumo ao protestantismo e ao ecumenismo. Mesmo no centro, escondida está uma das mais importantes igrejas protestantes: A “Igreja Evangélica Luterana de Genebra”. Entrámos no silêncio e na quietude contrastante com o sentimento de rua. Parámos por momentos a descansar. E, ali permanecemos durante algum tempo, num local único. Rezei um pouco. E em que se resumiu esse rezar? Bem… resumiu-se, simplesmente, a agradecer por tudo aquilo que sou. Por tudo aquilo que, diariamente, tenho a oportunidade única de presenciar e viver. Por casa dia que passa. Pelos amigos e família que tenho. Pela vida, e por poder dizer o quanto sou feliz. Sim! Sou-o. Posso dizê-lo, porque sinto-o!

Cathédrale Saint Pierre_Genebra

Após algum tempo, seguimos caminho… deixando-nos perder nas ruas da parte velha da cidade. Vislumbramos e compramos alguns “recuerdos” para trazer para os amigos de Portugal. E continuamos. Mais à frente, sentimos um verdadeiro movimento e aglomerado de pessoas. Seguimo-las. E damos de cara com a “Cathédrale Saint Pierre”. Um pináculo enorme sobressai por entre a sua composição. Apressadamente damos a volta, e expectantes ficamos ali a ver a sua envergadura. Uma Catedral fenomenal, cuja beleza é retirada pelo ruído e pelas pessoas que ali permanacem junto dela. São muitas, e por isso, decidimos não entrar, porque previmos ficar mais de meia hora na fila. Continuamos a calcorrear os passeios velhos desta cidade. Subimos ruas, descemos outras. Encontramos instalações culturais no meio da Praça Neuve. Seguimos a dentro pela “Promenade dês Bastions”. Tiramos fotografias. Rimos. Alegramo-nos. Pedimos que nos tirem fotografias para, como diz o slogan, “mais tarde recordar”. E assim é. Hoje recordo cada momento ao ver cada fotografia. Recordo cada pormenor e cada sensação que tive em cada fotografia tirada.

Praça Neuve_ Genebra

Promenade dês Bastions

Deixamo-nos perder pela envolvência da cidade. Já está a entardecer, e contianuamos a caminhar. Sentimo-nos um pouco cansados. A Cláudia quer regressar. Mas insistimos para continuar a sentir o cheiro a frio que nos envolve. Queremos parar para beber um chá quente. Mas prosseguimos. Estamos um pouco perdidos, é certo. Mas e é quando nos voltamos de costas que nos deparamos com o esplendor de um monumento. Branca e de cúpulas douradas que sobressaem da altitude a que se encontra. Subimos as escadas em sua direcção, e ali mesmo, encontramos uma Igreja Ortodoxa Russa. Entramos, sem nos determos. E admiramos.

Igreja Ortodoxa Russa

Está prestes a iniciar uma celebração. É a primeira vez que iremos assistir a uma celebração Russa, e por isso, deixamo-nos estar por mais algum tempo, nem que seja, para nos aquecermos do frio, uma vez que não encontrámos, pelo caminho, nenhum café aberto capaz de nos servir um simples chá quente. A igreja é diferente. È uma igreja escura, muito pouco iluminada. Há inúmeras imagens e ícones espalhados pela sala. O ritual é beijá-los. Há espaços próprios para o fazer, sem permitir que a imagem fique estragada. Os celebrantes vão passando de imagem em imagem, beijando-as. Reparo que as mulheres estão todas com os cabelos cobertos por um pano tipo xaile. Muitos da assembleia estão em pé, porque as cadeiras são quase inexistentes. Os cânticos são vividos e cantados com uma intensidade capaz de nos arrepiar. Nunca chegámos a ver o pastor. Apenas ouvíamo-lo. O resto da assembleia ritualiza-se através do sinal da cruz feito, primeiramente, para o lado direito, seguindo-se uma grande vénia. Este sinal da cruz é feito repetidamente vezes sem conta, uma e outra vez. Por vezes sinto-me deslocado, até porque não estou a participar. Apenas observo, sem com isso, me tenha sentido alguma vez desconfortável. Estamos em silêncio e observamos algo único.

Foi, de certo, uma experiência que culminou o nosso dia e que o enriqueceu, de certa forma. Uma experiência de verdadeiro ecumenismo. Onde aprendemos que a fé está em toda a parte. Nesta cidade, sente-se e vive-se a fé. Genebra é um pólo do protestantismo, e a sua beleza reside essencialmente aqui. Quem, turisticamente, quiser vir conhecê-la terá que, necessariamente, visitar por dentro os ritos da fé e da história pertencente a esta cidade. Genebra não é uma cidade de turismo, propriamente dito. Genebra é ecumenismo.

Já está de noite. Regressamos a casa, de comboio. A família Clement espera-nos com um chá quente. Mas de “Genebra” a “Renens” é ainda, aproximadamente, uma hora de caminho. Sentimo-nos exaustos, deixamo-nos levar pelo cansaço. Simplesmente adormecemos.

2 comentários:

Fernanda disse...

Adorei seu blog !! Eu e meu marido fomos a Genebra neste último final de semana...Estava procurando informações sobre os nomes dos pontos turísticos que visitamos e encontrei seu blog !! Parabéns !!

Fabiano disse...

Muito bom, estou indo a Genebra e nao sabia muito o que visitar e lendo esse blog ja me orientei um pouco. Queria saber onde tem um comercio bom para compras, pricipalmente chocolates.